Palmeiras vence Boca na Bombonera e se garante nas oitavas

O Palmeiras está nas oitavas de final da Copa Libertadores da América. Nesta quarta-feira, o Verdão encarou o Boca Juniors em La Bombonera, jogou bem e venceu por 2 a 0. Os tentos de Keno e Lucas Lima garantiram a classificação palestrina com duas rodadas de antecedência na fase de grupos.

O jogo foi em Buenos Aires, mas os primeiros dez minutos davam a impressão de que a partida era no Allianz Parque. O Alviverde começou o duelo pressionando o Boca Juniors e sem deixar os donos da casa saírem jogando.

pal-000_14C19J-1024x580

Com o tempo, o duelo ficou mais equilibrado e os dois times começaram a marcar a partir de seu campo defensivo. Com duas linhas de quatro bem postadas, o Palmeiras conseguia não sofrer sustos e ainda levar perigo no ataque.

Sem um meia de ligação, já que Cardona esteve no banco de reservas, o Boca tinha muitas dificuldades para furar o bloqueio defensivo visitante. A única opção de perigo era pelo lado esquerdo, onde Marcos Rocha e Keno tinham muito trabalho para conter Pavón.

E em uma dessas ironias do futebol, foi justamente de Marcos Rocha a assistência para Keno, de cabeça, abrir o marcador já aos 39 minutos do primeiro tempo. Antes do intervalo, Ábila ainda perdeu uma chance inacreditável de empatar e balançou as redes em jogada parecida e bem anulada pela arbitragem.

Na etapa final, o Palmeiras foi novamente prejudicado pela arbitragem. Tevez recuou mal e Lucas Lima driblou o já amarelado Magallán, que fez nova falta. A arbitragem marcou apenas a falta.

Polêmicas à parte, o Verdão mudou completamente sua estratégia para o jogo. Com Willian na vaga de Borja, lesionado, o Palmeiras ganhou mais velocidade para jogar nos contra-ataques, mas recuou demais e começou a sofrer pressão do Boca Juniors. Quando conseguia desafogar e chegar ao ataque, quase sempre pegava os xeneizes no mano a mano.

E foi desta maneira que, após desperdiçar contra-ataque com Keno, o Maior Campeão do Brasil ampliou na Bombonera. Em lançamento para Dudu, o goleiro Rossi deixou a meta para cortar de cabeça e trombou com um companheiro. A bola sobrou para Willian, que tentou por baixo, mas Vergini impediu. Lucas Lima ficou com a sobra, bateu primeira na zaga, e depois conseguiu encobrir o goleiro para marcar o segundo tento palestrino.

O resultado faz o Palmeiras chegar aos dez pontos no Grupo 8, cinco acima do próprio Boca. Junior Barranquilla, com três, e Alianza Lima, com um, completam a chave e ainda se enfrentam nesta quinta-feira.

Pela Libertadores, o Palmeiras enfrenta o Alianza Lima, dia 3 de maio, às 21h30 (de Brasília), no Peru. Já no Brasileirão, o Verdão pega a Chapecoense, neste domingo, às 16h, no Allianz Parque.

FICHA TÉCNICA
BOCA JUNIORS 0 X 2 PALMEIRAS

Data: 25 de abril de 2018, quarta-feira
Local: Estádio La Bombonera, em Buenos Aires
Horário: 21h45 (de Brasília)
Árbitro: Roberto Tobar (CHI)
Assistentes: Claudio Rios (CHI) e José Retamal (CHI)

Cartões amarelos: Magallán, Nández, Pablo Pérez e Ábila (BOCA); Marcos Rocha, Hyoran e Keno (PALMEIRAS)

GOL
PALMEIRAS: Keno, aos 39 minutos do primeiro tempo; Lucas Lima, aos 21 minutos da etapa final

BOCA JUNIORS: Rossi; Jara, Vergini, Magallán e Mas; Nández, Sebastián Pérez (Reynoso) e Pablo Pérez; Carlos Tevez (Walter Bou), Pavón e Ábila
Técnico: Guillermo Schelotto

PALMEIRAS: Jailson; Marcos Rocha, Antônio Carlos, Edu Dracena e Diogo Babosa; Felipe Melo, Bruno Henrique e Lucas Lima (Moisés); Keno (Hyoran), Dudu e Miguel Borja (Willian)
Técnico: Roger Machado

 

 

 

Gazeta Esportiva
São Paulo, SP

Boulos diz que ‘não é possível governar para todos’: ‘O mercado que tome Rivotril’

Líder do MTST e pré-candidato à Presidência pelo PSOL afirma que vai governar para 99% da população brasileira e enfrentar ‘interesses poderosos’.

O líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, de 35 anos, quer se tornar o presidente da República mais novo da história do Brasil.

bbc-101050669boulos

Boulos defende consultas à população sobre temas fundamentais: ‘Isso não é desvalorizar as instituições (como o Congresso). Ao contrário, é valorizar as instituições, porque é isso que vai fazer com que as instituições estejam em sintonia com a sociedade’
Foto: Paulo Pinto/Agência PT / BBCBrasil.com

Pré-candidato pelo PSOL, ele tem ao seu favor um movimento social de expressão e uma espécie de “unção” feita por Lula em seu último discurso antes de ser preso pela Polícia Federal, em São Bernardo do Campo, no último dia 7 de abril. Por outro lado, Boulos faz parte de um partido pequeno e não passa de 1% das intenções de voto segundo o último levantamento do instituto Datafolha.

Em entrevista à BBC Brasil, o pré-candidato afirmou que é impossível governar para toda a população brasileira e que, caso eleito, combaterá os privilégios da população mais rica.

“O 1% dessa elite econômica, não acredito que eles considerem as políticas que nós defendemos boas para eles. No momento que nós estamos e, numa sociedade dividida e polarizada, não é possível governar para todos. Nós queremos enfrentar interesses. Interesses poderosos. Nós queremos governar pelos 99%”, disse.

Com origem de classe média alta e filho de um dos principais infectologista do país – o médico Marcos Boulos, coordenador de Controle de Doenças da Secretaria de Saúde do governo de São Paulo -, Boulos disse que não teme que seus inimigos políticos o acusem de oportunismo por liderar um movimento sem-teto.

“Eu seria oportunista se eu tivesse enriquecido no movimento. É exatamente o contrário”, afirmou o pré-candidato.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista:

BBC Brasil – O senhor estava no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo nos dias que antecederam a prisão de Lula. O sr. defendeu até o fim uma resistência. Por que fez esse tipo de ação?

Guilherme Boulos – Quando uma ordem é injusta, a resistência é legítima. O processo que condenou Lula é de uma ilegalidade do começo ao fim. Não há uma prova concreta. O caso do tríplex é extremamente frágil e não sou eu quem digo. Você pega os principais juristas do Brasil como se posicionam em relação a isso.

Foi importante o Lula ir para lá. Foi importante ele não ter se entregado no prazo estabelecido pelo juiz Sergio Moro e a comoção e a solidariedade que se criou de gente que veio de vários cantos do país para se formar aquele abraço ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que é um lugar muito simbólico. A foto que o Sergio Moro queria era a foto do Lula cabisbaixo, cercado de policiais entrando numa viatura. Não foi exatamente essa foto que rodou o mundo. A resistência ali foi importante. Nós achamos que ela poderia ter prosseguido, ter ido mais adiante. Mas nós respeitamos a decisão tomada pelo Lula.

BBC Brasil – Em sua opinião, Lula errou ao não resistir mais?

Boulos – É difícil dizer erro. Essa era uma decisão muito pessoal dele. É muito fácil defender martírio no corpo alheio. Eu não faço tipo de coisa. Em relação à questão política, nós achamos que o gesto de resistência como aconteceu e poderia ter corrido mais prolongadamente, um gesto que também serviria de exemplo para que pudesse animar mais pessoas a se dispor a ir para as ruas contra o abuso que foi a prisão do Lula.

BBC Brasil – Lula elogiou o sr. no último discurso e comparou a sua história à dele. O sr. se vê como plano B de Lula?

Boulos - Seria um desrespeito da minha parte num momento como esse querer me colocar como alternativa eleitoral ao Lula, que é candidato. O PT manteve a candidatura de Lula, que está sofrendo uma injustiça brutal, em relação à qual eu sou solidário. Eu não vou cometer esse equívoco porque eu acho que, mais que um erro político, seria um desrespeito em relação a todo sofrimento e injustiça que ele está recebendo neste momento.

BBC Brasil – O sr. tem 1% das intenções de voto, segundo a última pesquisa Datafolha. Sua candidatura é para marcar posição, como um treineiro, ou o sr. acha que vai ganhar as eleições esse ano?

Boulos – Eu sou o candidato mais jovem da história do país a disputar a Presidência da República. Alguns perguntam: “Tão jovem, nunca teve experiência parlamentar”. Se experiência político-parlamentar fosse credencial para governar o Brasil, o Temer seria o melhor presidente da nossa história, porque está fazendo isso há 50 anos e é um desastre.

Experiência não é só estar no Parlamento. Obviamente, eu não desvalorizo aqueles que têm experiência parlamentar. Mas política não se faz só lá dentro, em tribuna, em instituição. Política se faz nas ruas e junto com o povo. É o que eu tenho feito nos últimos 16 anos da minha vida.

A nossa candidatura é para disputar projeto de país, para disputar de verdade, uma candidatura para valer. Não é candidatura para marcar posição. Eu lancei minha candidatura há um mês. O Bolsonaro está fazendo campanha há 2 anos, 3 anos pelas redes sociais. A campanha está absolutamente aberta. O Datafolha não expressa o que nós vamos vivenciar daqui quatro meses, cinco meses.

Nós não achamos que o mundo acaba em 2018. Independente de quem ganhar as eleições, nós precisamos construir um projeto de futuro que seja capaz de resgatar a esperança. Um dos erros que a esquerda cometeu foi pensar numa estratégia de acordo apenas com a próxima eleição. Estratégia com prazo de validade no calendário eleitoral. Nós não vamos fazer isso. Nós queremos pensar um projeto para os próximos 10, 15 anos. Para a próxima geração, não pela próxima eleição.

BBC Brasil – Caso seja eleito, como o sr. enfrentaria um Congresso provavelmente hostil ao seu governo. O sr. não tem medo de um eventual governo PSOL ser inviabilizado?

Boulos - Nós queremos apresentar um projeto que, pela primeira vez, vai botar o PMDB na oposição. Não queremos o PMDB na nossa base parlamentar, não queremos aliança fisiológica. Isso significa apresentar um projeto político, que a participação popular não se reduza a votar e acabou. Isso não é democracia. Isso é um conceito tacanho e limitado de democracia.

Queremos uma participação popular permanente. Nós queremos plebiscitos e referendos para temas fundamentais, a começar para no dia 1º de janeiro de 2019 um plebiscito para que o povo decida se quer revogar as medidas tomadas pelo governo ilegítimo de Michel Temer. Sem isso não se governa o Brasil.

BBC Brasil – Parece que o sr. está propondo tirar poderes do Parlamento com essa política plebiscitária.

Boulos – Isso não é desvalorizar as instituições. Ao contrário, é valorizar as instituições, porque é isso que vai fazer com que as instituições estejam em sintonia com a sociedade, aproximando o poder das pessoas.

Mas para representar o sentimento da sociedade tem que estar ouvindo o sentimento da sociedade. Nós precisamos criar esses canais de escuta e de definição que não existem hoje no Brasil. E reitero que eu não estou propondo nenhuma invenção da roda. Isso existe em várias partes do mundo. A Suíça faz mais de dez plebiscitos por ano. O Uruguai faz plebiscitos. Os Estados Unidos, que não podem ser exatamente acusados de comunistas, fizeram plebiscito agora na Califórnia, fazem plebiscitos. Vários países latino-americanos fazem plebiscitos, escutam as pessoas. O nome disso não é autoritarismo para fechar o Congresso. O nome disso é simplesmente democracia.

BBC Brasil – Se eleito presidente, como o sr. lidaria com a Lava Jato, com a Polícia Federal e com o Judiciário?

Boulos – Corrupção não pode ser tolerada. Toda investigação em relação à corrupção deve ser valorizada. Agora, isso precisa ser feito com respeito às garantias constitucionais, à presunção de inocência e ao amplo direito de defesa. Isso porque, para combater corrupção, não pode passar por cima da lei e dos direitos individuais. Se não, nós não estamos mais falando estado de Direito. Operações de combate à corrupção, se comprovarem provas contra as pessoas, deve haver punição. Isso independente da coloração partidária. Esse é o papel do Judiciário. É pensar e atuar de maneira isenta, independente da coloração partidária.

Lamentavelmente, o que tem ocorrido hoje não é exatamente isso. A Operação Lava Jato foi por caminhos muito preocupantes. Eu não estou vendo algum tucano preso, algum grande tucano preso pela Operação Lava Jato. É verdade que prendeu figuras do PMDB só depois de cumprirem um determinado papel. O pedido de prisão de Eduardo Cunha foi feito em dezembro de 2015. O Eduardo Cunha só foi preso de verdade após ter coordenado o processo de retirada da Dilma.

Eu acredito que o combate à corrupção não se dá principalmente com operações policiais. Elas são necessárias e devem continuar. No nosso governo tem o apoio, evidentemente, operações de combate à corrupção. O combate efetivo à corrupção para além das operações se dá com a mudança do sistema político. Como funciona o sistema político atual? Financiamento de campanha eleitoral vai lá e financia. Ganha, está comprometido com quem financiou. Vai favorecer os interesses em aprovação de leis, em negociação de contratos para empresas e empresários que financiaram.

Se a gente quer combater corrupção de verdade, vamos parar de udenismo e de falso moralismo e vamos enfrentar a raiz do problema, que é transformar profundamente o sistema político brasileiro.

BBC Brasil – Recentemente, o sr. criticou um economista liberal que propôs privatizações em larga escala. Qual seu plano para economia?

Boulos – Estou para encontrar algum economista neoliberal que se preze mundo afora que defenda isso (privatizações). O próprio FMI nos relatórios mais recentes fez uma série de autocríticas em relação à política que pregaram em adotar mundo afora. A política que pregaram em relação à crise de 2008, que não funcionou. Fracassou em todos os lugares do mundo. A política de austeridade, de redução de investimentos públicos durante a crise, só gera novos desajustes fiscais.

Olha, estamos em crise, o Estado segura o investimento. Qual o resultado disso? O resultado é que a economia cai ainda mais com a ausência do investimento público. Gera mais desemprego, desaquece ainda mais a economia e, portanto, arrecada ainda menos. Portanto, a política de ajuste fiscal gera um desajuste.

Em todos os países do mundo, o papel do Estado na indução do crescimento econômico e do desenvolvimento do país foi chave. Pega os Estados Unidos, modelo do liberalismo. Quem é que financiou as pesquisas do iPhone no Vale do Silício? Vocês acham que foi a Apple? Quem financiou foi o Departamento de Estado, o Departamento de Defesa. O Estado tem um papel-chave para qualquer país, inclusive para os grandes países capitalistas, no crescimento e na indução econômica.

Mas o investimento público é chave. Investimento em tecnologia, ensino, moradia popular e saneamento básico, infraestrutura urbana. Isso gera emprego, serviços públicos essenciais para a população e, ao mesmo tempo que recupera a economia brasileira, nos permite reduzir o abismo social e fazer com que o Estado cumpra mais com a sua responsabilidade. Essa é uma primeira linha que nós defendemos.

ggg-101050959l

Boulos (conversando com João Stédile, da direção do MST) inicou militância política aos 15 anos no movimento estudantil
Foto: LULA MARQUES / BBCBrasil.com

Agora como se sustenta isso? Enfrentando a desigualdade no nosso país. No Brasil, não falta dinheiro. O Brasil é uma sétima economia do mundo. O dinheiro está mal distribuído. Nós temos que mexer numa reforma tributária profunda e progressiva. O sistema tributário brasileiro está baseado em arrecadação sobre consumo, que é profundamente regressiva, que não tem justiça tributária. O que seria num Estado que opere para a justiça social? Quem tem mais paga mais, quem tem menos paga menos. É assim em boa parte do mundo.

BBC Brasil - Temos 12 milhões de pessoas desempregadas. Eu não entendi como o sr. pretende estimular esse emprego. É o Estado financiando empresas, como no governo Dilma? Por trás do refinanciamento o sr. tem a ideia de que elas geram emprego, e que talvez facilitando a vida delas eu consiga fazer com que elas empreguem?

Boulos – Eu não acho que esse é o caminho. Eu acho que um dos erros cometidos pelo governo Dilma foi fazer as desonerações de grandes setores econômicos. E isso não se reverteu em melhorias para a sociedade. O que eles deixaram de pagar em impostos não deu arrecadação e não se reverteu em novos empregos. Ao contrário, fecharam postos de trabalho. Não teve contrapartida social.

O caminho para estimular economia não é desonerar o setor privado. No meu entendimento, o caminho para estimular a economia é investimento público direto em áreas fundamentais, dei exemplos, de infraestrutura social, que trazem uma série de benefícios para o conjunto da sociedade, ao mesmo tempo que geram emprego. Você pega a construção de moradias populares. O setor da construção civil é um dos mais intensivos em mão de obra, gera bastante emprego. Se você fortalece um programa. Minha Casa, Minha Vida, de algum modo fez isso.

Você tem toda uma linha de investimento, saneamento básico. Isso gera bastante emprego. Isso é investimento público direto.

BBC Brasil – Então seria o Estado empregando? Seria a empresa brasileira de construção do Minha Casa, Minha Vida...

Boulos - Você tem vários modelos. Tem empresas públicas que empregam. A Petrobras agora está demitindo loucamente. Lá no Comperj, no Rio de Janeiro, foi contratada uma construtora chinesa para fazer. Está tendo um desmonte das empresas públicas. O Estado não controla todos os setores da economia, mas nos setores onde há presença estatal isso é contratação direta pelas empresas públicas. Nos setores de investimento público onde não há empresa estatal, você pode discutir a construção de empresas públicas, mas num primeiro momento é evidentemente viabilização de investimentos de obras também por meio de licitações no que a lei determina.

BBC Brasil – A gente viu ascensão das classes C e D formando uma nova classe média. Como convencer essas pessoas, a classe média tradicional e a elite econômica de que um governo Boulos poderia ser bom para eles?

Boulos – Não dá para convencer a todos. Tem alguns, inclusive, que eu até abro mão de convencer. O 1% dessa elite econômica, eu não acredito exatamente que eles considerem as políticas que nós defendemos boas para eles. No momento que nós estamos e, numa sociedade dividida e polarizada, não é possível governar para todos.

Nós queremos enfrentar interesses. Interesses poderosos. Nós queremos governar pelos 99%. Essa é a nossa decisão. Governar para os 99% significa enfrentar os privilégios do 1%, uma elite financeira que só espolia o país, que leva nossas riquezas lá para fora. O Brasil para eles é uma plataforma de acumulação e não deixam nada aqui.

Nós queremos enfrentar a lógica de uma economia que exclui e de um Estado que não representa as maiorias. E este enfrentamento é enfrentar as oligarquias políticas que mandam no Brasil. Esse enfrentamento é enfrentar o grande setor econômico que dá as cartas por aqui. O debate que nós temos que fazer com o conjunto, com a sociedade, é que hoje esse é o único caminho possível para que os 99% possam ter futuro.

Do jeito que a coisa vai, se não houver uma reversão, perspectiva de futuro não vai existir para a maioria do povo brasileiro. Nós temos 30% de desemprego entre jovens. O cenário é muito grave. Nós precisamos ter propostas contundentes de enfrentamento de rupturas nesse sentido. O papel da minha campanha não é acalmar o mercado. O mercado que busque tomar Rivotril. O papel da nossa campanha é defender o que a gente acha que tem que se defender para a maioria do povo brasileiro. É transformar maiorias sociais em maiores políticas. Isso significa confrontar interesses e significa enfrentar privilégios porque não tem outro caminho.

BBC Brasil – Como atrair um jovem usando discursos de distribuição de renda, ocupação, aborto, lutas indígenas quando, do outro lado, a direita parece estar mais popular, usando memes, falando de liberação do uso de armas e liberalismo econômico?

Boulos – Eu acho que não dá para generalizar isso. Efetivamente, você teve um crescimento de ideias de direita na sociedade, mas não podemos maximizar e nós temos que buscar compreender o contexto em que isso acontece. Na medida em que há uma falência do sistema político, que se expressa também numa crise de representação, as ideias se polarizam. As alternativas de centro, as alternativas do establishment, são cada vez mais menos críveis para as pessoas. As pessoas não querem isso. Isso abre demanda pelo novo.

Isso não está acontecendo só no Brasil. Isso tem criado mundo afora novas experiências de direita e novas experiências de esquerda. No Brasil, o problema que nós temos hoje é que o sentimento de antipolítica foi canalizado principalmente pela direita até aqui. A esquerda não conseguiu ainda construir uma alternativa ousada que se apresente também como antiestablishment, como antissistema. A esquerda, por ter tido 13 anos do PT, e as pessoas associam o PT à esquerda. Na cabeça de boa parte da população é assim, embora isso não seja exato, preciso. O fato é que na cabeça das pessoas isso acaba sendo parte da crise de representação e não uma alternativa a ela.

Nosso desafio está em apontar e construir um trajeto da esquerda no próximo período que não tenha medo exatamente de levantar essas bandeiras. Onde a esquerda manteve firme suas bandeiras e ousou, ela cresceu mundo afora. Nós temos que ir consolidando também a construção de uma alternativa à esquerda, que dispute esse sentimento de antipolítica. Boa parte do eleitorado que diz que vai votar no Bolsonaro não diz isso porque é de extrema-direita, porque é homofóbico, machista. Nós não temos 20% de extrema-direita no Brasil, mas vê no Bolsonaro exatamente alguém que possa acabar com essa bandalheira toda que está aí, uma coisa difusa de crise da política. Este espaço nós temos que disputar com ideias firmes, arejadas, conectadas com a dinâmica dos movimentos sociais mais novos, mais importantes, mais expressivos e, ao mesmo tempo, dialogando muito com a juventude. Ter a Mídia Ninja junto com a gente na campanha é uma expressão muito importante. Dialogar com novas linguagens, com novas gramáticas, sem abrir mão das bandeiras fundamentais.

BBC Brasil – O sr. se considera um radical?

Boulos – No Brasil, é muito fácil ser radical. Defender a igualdade racial é coisa de radical. Qualquer um é taxado de radical. O debate político foi levado de uma maneira que tão irresponsável à direita que basta você ficar parado que você virou extrema esquerda no dia seguinte. Se defender a igualdade social, eu sou. Se defender a democratização do Estado é ser radical, eu sou. Se defender liberdades individuais sem concessões, direitos civis e democráticos é ser radical, eu sou. Há 50 anos, o nome disso não era ser radical, mas chamem como quiser. O que está em jogo, para a candidatura que estamos construindo, é apresentar um projeto ousado de mudanças. É tocar em feridas fundamentais. Eu não acredito que isso seja extremismo. Extrema é a realidade brasileira hoje.

BBC Brasil – E o papel do Brasil no mundo. Como negociar com o governo Trump e como o sr. ver a questão da Venezuela?

Boulos - Política externa para nós tem que estar baseada na Aliança Sul-Sul. Esse é o nosso foco. Precisamos ter uma integração com países latino-americanos, com a África. Isso é um conceito de geopolítica que nos aproxima de países que construíram a sua trajetória tal como a nossa. Isso não quer dizer não ter relações com o Norte. Essas relações precisam existir tanto do ponto de vista comercial, como diplomático e político.

ggg-101050672boulos3

‘Política externa para nós tem que estar baseada na Aliança Sul-Sul. Esse é o nosso foco. Precisamos ter uma integração com países latino-americanos, com a África’
Foto: Palácio do Planalto / BBCBrasil.com

Países como o nosso, com a dimensão do Brasil, a sétima maior economia do mundo, mais de 200 milhões de habitantes, precisa dialogar com o mundo todo. Mas também precisa saber aonde quer chegar e não pode tolerar ser humilhado no cenário internacional, ser subordinado no cenário internacional. Não pode tolerar nível de intervenção estrangeira que nós temos hoje. Voltamos a ser aquele país que fala fino com os Estados Unidos e grosso com a Bolívia, isso precisa ser enfrentado. Isso significa fortalecer mais o Mercosul, em termos concretos, a Unasul, fortalecer as alianças latino-americanas. Isso tem o significado de fazer parcerias com os nossos e não subordinar apenas as relações internacionais a relações econômicas. Nós não podemos fazer com os nossos vizinhos a mesma política neocolonial que nós reclamamos que os Estados Unidos faz conosco. O Brasil precisa se reinserir também no cenário internacional e não apenas como produtor de commodities.

BBC Brasil – Como o sr. vê a situação na Venezuela hoje e como agiria caso fosse eleito?

Boulos – Antes de qualquer coisa, é preciso respeitar a soberania dos países e autodeterminação dos povos. É inadmissível uma declaração como a do secretário de Estado dos Estados Unidos estimulando o golpe militar na Venezuela e sugerindo a intervenção estrangeira na Venezuela. O problema na Venezuela parte de uma crise econômica profunda, que também foi resultado de erros cometidos pelo governo. De não ter diversificado a matriz produtiva. A Venezuela permaneceu absolutamente refém do petróleo e no momento que teve renda petrolífera altíssima, quando o petróleo estava US$ 110 o barril, tinha a oportunidade de ter investido em diversificação produtiva para se tornar autossustentável, inclusive em alimentos.

Mas atuou como se a alta dos preços do petróleo fosse durar para sempre. Quando o petróleo caiu para US$ 30, 40 o barril, o país quebrou economicamente. Um país que depende absolutamente do petróleo, quando estava 110, tinha condições fazer políticas sociais, e foram feitas. A desigualdade foi combatida brutalmente na Venezuela, o que não se mostra. Teve políticas sociais, as Missiones, praticamente se erradicou o analfabetismo na Venezuela em poucos anos. Teve políticas de investimento público fortíssimo em moradias, o Grand Mission Vivenda. Fez essas políticas, mas não se preocupou com o futuro mais no médio e longo prazo, que seria a diversificação produtiva. Quando o petróleo cai e não permite mais isso, entra numa crise econômica profunda. Agora, eu sou candidato a presidente do Brasil, não da Venezuela. Não me cabe me imiscuir em assuntos da Venezuela.

Oposição perseguida? Não é meu papel chancelar o governo Maduro. Se erros foram cometidos, precisa responder por esses erros. Agora, o mesmo vale para a oposição venezuelana. Tratar a oposição venezuelana como coitadinha é não conhecer o que se passa na Venezuela. A oposição venezuelana apostou na violência política, existem provas, imagens. A oposição venezuelana guardando e armazenando alimentos para aprofundaram a crise social com desabastecimento. A oposição venezuelana formou milícias.

BBC Brasil – O governo também…

Boulos – Houve enfrentamento ali, é evidente que as mortes pelas quais gente do governo foi responsável tem que responder por elas. Nós não vamos passar a mão na cabeça de ninguém, mas nós também temos que falar das mortes causadas pela oposição. O cenário é complexo. É muito fácil apresentar o Maduro como o vilão e oposição como mocinha. A vida não é desse jeito. É muito mais complexo na Venezuela.

Quando vem a imprensa brasileira chamando a Venezuela de ditadura. O Maduro foi eleito. Eleições com observadores internacionais, legitimadas. Foi eleito pela maioria do povo venezuelano. O mesmo não acontece com Temer, aliás. Não vi ninguém chamá-lo de ditador. (Sobre) as eleições do Trump nos Estados Unidos pairam talvez mais suspeitas em relação à sua manipulação de redes, à Cambridge Analytica, do que a todo o processo que foi feito às eleições do Maduro na Venezuela. O cenário de luta na Venezuela é muito mais complexo.

Nós temos uma oposição extremamente violenta e nós temos uma tentativa dos Estados Unidos de tentar desestabilizar a Venezuela. Os Estados Unidos têm um péssimo costume de tratar qualquer governo que ele não concorda como ditadura. Ameaçar intervenção, ameaçar invasão, e isso nós não podemos permitir.

BBC Brasil – O sr. nasceu em um contexto de classe média, classe média alta. O sr. não tem medo de ser classificado como oportunista, de ter usado um movimento social para entrar na política e fazer campanha?

Boulos – Eu seria oportunista se eu tivesse enriquecido no movimento. É exatamente o contrário. Eu comecei minha militância com 15 anos de idade num movimento estudantil secundarista. Militei num movimento de juventude e fui percebendo que não era ali que eu queria estar porque me incomodava muito de ver muita gente apresentando soluções para o povo, falando em nome do povo, mas com muito pouca disposição de ouvir o povo, de estar junto com as pessoas.

Em 2001, o MTST entra na região metropolitana de São Paulo, período que eu também estava iniciando minha formação em Filosofia. Depois, completei ela, me formei, dei aula por alguns anos em escolas públicas nas periferias. Depois, me formei em Psicanálise, fiz mestrado em Psiquiatria, dou aula hoje também na Escola de Educação Permanente (ligada ao Hospital das Clínicas), além de escrever artigos. Escrevo hoje para a revista Carta Capital, escrevo para sites.

Solidariedade é um princípio fundamental. Solidariedade é ter a capacidade de se colocar no lugar do outro, de sentir uma dor que não é sua. Sentir a sua dor todo mundo sente. Solidariedade é algo essencialmente humano, que é a capacidade de sentir e se sensibilizar com a dor dos outros. Solidariedade não deveria ser vista como um problema, ainda mais no mundo que a gente vive. Deveria ser vista como algo a se propagar. O que me levou ao MTST é lutar para que todos possam ter as oportunidades que eu tive.

BBC Brasil – Recebeu críticas por isso?

Boulos - A pergunta tem que ser invertida. A pergunta não é porque alguém se juntou à luta por moradia num país que tem mais de 6 milhões de pessoas sem casa em pleno século 21. A pergunta deveria ser porque mais gente não se junta, por que mais gente não se sensibiliza. Essa é a pergunta que nós temos que fazer e que diz muito sobre o que é a sociedade brasileira. É estranho que a gente tenha que se explicar, se justificar porque se juntou a uma causa e foi solidário com as pessoas. A explicação deveria mudar o lado do balcão.

 

Da BBC BRASIL.com

Vitória e Corinthians ficam no 0 a 0 pela Copa do Brasil

Partida no Barradão foi de muita marcação e pouca inspiração na ida das oitavas de final da competição nacional. Timão chega a cinco jogos sem perder na temporada

Vitória e Corinthians empataram em 0 a 0 na noite desta quarta-feira, em duelo no Barradão válido pelas oitavas de final da Copa do Brasil. O resultado foi o mais justo pelo que as duas equipes apresentaram ou deixaram de apresentar. A volta será no dia 9 ou 10 de maio, na Arena Corinthians.

vit-5ae1163088619
Vitória e Corinthians fizeram um jogo muito equilibrado
Foto: Romildo de Jesus / LANCE!

Espelho, espelho meu...
Ciente de que enfrentaria talvez a equipe mais competitiva do país no momento, o Vitória resolveu tentar jogar de forma semelhante ao Corinthians. Ou seja, fechadinho atrás e apostando nos contra-ataques. A estratégia equilibrou as forças, já que o Timão saiu para criar sem muito êxito e os baianos tentavam no contra-ataque. Algumas chances surgiram de cada lado, mas as defesas se sobressaíram.

Corinthians leva a pior
No primeiro tempo, exceto as chances não tão perigosas de cada lado, o saldo ficou negativo para o atual campeão brasileiro. A equipe perdeu o volante Ralf, que vinha sendo um dos melhores do jogo. Aos 44 minutos, ele machucou o ombro e deixou o campo chorando, tendo de ser substituído por Gabriel. Problema para o técnico Fábio Carille, que já perdeu Renê Júnior machucado.

Vitória e Corinthians ficam no 0 a 0 em duelo pela Copa do Brasil
Vitória e Corinthians fizeram um jogo muito equilibrado Vitória e Corinthians fizeram um jogo muito equilibrado Vitória e Corinthians fizeram um jogo muito equilibrado Vitória e Corinthians fizeram um jogo muito equilibrado Vitória e Corinthians fizeram um jogo muito equilibrado

vit-5ae1165509427

Vitória e Corinthians fizeram um jogo muito equilibrado
Foto: Romildo de Jesus / LANCE!

Cadê o centroavante?
A pergunta é recorrente em jogos do Corinthians, sobretudo quando os atacantes não conseguem infiltrar, mas desta vez foi dos dois lados. No Vitória, Neilton se movimentou bem, achou espaços, mas Denilson, comandante do ataque, não estava em noite tão inspirada. No Timão, Romero e Clayson tentaram vindo das pontas, enquanto Jadson e Rodriguinho pouco pisaram na área. A marcação levou a melhor.

E agora?
O Corinthians precisa apenas vencer em casa para avançar às quartas de final. Jogou como de costume, sem sofrer atrás. Agora precisa só fazer sua parte. Problema é que o Vitória também e da última vez que jogou na Arena saiu com o resultado que lhe daria a vaga. No ano passado, o Timão perdeu a invencibilidade no Campeonato Brasileiro justamente para os baianos, no início do segundo turno: 1 a 0. A disputa está aberta. Empate leva para os pênaltis.

FICHA TÉCNICA
VITÓRIA 0 X 0 CORINTHIANS

Local: Barradão, Salvador (BA)
Data-Hora: 25/4/2018 – 19h30
Árbitro: Braulio da Silva Machado (SC)
Auxiliares: Helton Nunes (SC) e Neuza Ines Back (Fifa/SC)
Público/renda: 11.411 pagantes/R$ 170.333,00
Cartões amarelos: José Welison e Neilton (VIT), Henrique e Gabriel (COR)
Cartões vermelhos: -
Gols: -

VITÓRIA: Caíque; José Welison, Kanu, Ramon e Juninho (Pedro Botelho, aos 25′/2ºT); Willian Farias e Uillian Correia; Rhayner (Guilherme Costa, aos 31′/2ºT), Yago (Nickson, aos 37′/2ºT) e Neilton; Denílson . Técnico: Vagner Mancini.

CORINTHIANS: Cássio; Fagner, Balbuena, Henrique e Sidcley; Ralf (Gabriel, aos 46′/1ºT) e Maycon; Romero, Jadson (Mateus Vital, aos 20′/2ºT), Rodriguinho e Clayson (Emerson Sheik, aos 37′/2ºT). Técnico: Fábio Carille.

 

 
Marcio Porto
LANCE!

Contra pedofilia, PF coloca nas ruas nova fase da Operação #Underground

A Polícia Federal (PF) cumpriu dez mandados de prisão preventiva, nesta quinta-feira, 26, na segunda fase da Operação #Underground 2, que mira distribuição de pornografia infantil. Segundo informações da corporação, quatro dos encarcerados são de São Paulo e os outros são de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás, Pernambuco, Maranhão e Acre. A ação também cumpre 11 alvos de busca e apreensão.

A primeira fase havia sido deflagrada em abril de 2017, e chegou a prender 21 investigados, entre eles, estrangeiros, cujos dados foram encaminhados, por meio da Interpol, para os países onde moram. A ação revelou não somente o compartilhamento de materiais pornográficos infantis em grupos de aplicativos de celular, mas também indícios de que alguns dos investigados produziam o material compartilhado.

Segundo a PF, “após a deflagração da primeira fase”, em abril de 2017, “foram realizadas novas investigações na deepweb, que resultaram na identificação de um grupo de produtores de material de exploração sexual infantil”.

“Por meio de modernas técnicas de investigação digital no ambiente da deepweb, desenvolvidas pela própria Polícia Federal, chegou-se a um grupo com ações em abrangência nacional, integrado por 13 pessoas, que se comunicavam em ambiente cibernético, onde ocorria o comércio das imagens ilícitas”, afirma a corporação, por meio de nota.

A PF dá conta de que “grande parte dos envolvidos efetivamente abusava sexualmente de crianças, registrando as imagens”. “Numa segunda etapa, reuniam-se em salas virtuais dedicadas à pedofilia, onde trocavam, vendiam ou simplesmente disponibilizavam os arquivos ilícitos. Algumas das vítimas já foram identificadas, quando ficou demonstrado que o agressor é, no mais das vezes, pessoa do convívio da família da vítima, ou mesmo parte dela”, revela a Federal.

O crime de publicação de imagens de pornografia infantil prevê pena de 3 a 6 anos de reclusão. Já o estupro de vulneráveis prevê de 8 a 15 anos de prisão.

 

Estadão

Minas permite conversão de multas ambientais em prestação de serviços

O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, assinou hoje (19) termo de cooperação interinstitucional que trata da conversão das multas ambientais não quitadas em prestação de serviços e em melhorias do meio ambiente. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) também são signatários.

Na prática, o termo cria regras para que os valores cobrados em decorrência de uma infração possam ser revertidos para projetos de preservação ambiental, desde que exista consenso entre o infrator e o órgão ambiental que aplicou a multa. O infrator, no entanto, não poderá se eximir de reparar os danos causados. Em outras palavras, significa dizer que a multa poderá ser convertida em ações adicionais, que não deverão se confundir com aquelas obrigatórias e necessárias para mitigar os danos.

“A resolução consensual será aplicada nos autos, desde os mais simples, como uma apreensão de animais silvestres, até os mais complexos, a exemplo de contaminação de solo ou curso d’água”, diz em nota o governo mineiro.

Caberá ao Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sisema), que reúne diferentes órgãos ambientais de Minas Gerais, estabelecer as ações de recuperação ambiental passíveis de serem objeto da conversão de multas. A partir daí, os infratores serão convocados para manifestarem seu interesse em fazer um acordo.

“Terão destaque as ações de inclusão social, que também poderão ser financiadas com recursos da resolução. Isso inclui, por exemplo, financiamento para produção de sementes ou mudas que serão usadas por comunidades locais na recuperação do meio ambiente. O objetivo é que, além de quitar sua situação administrativa, o infrator tenha ainda a oportunidade de solucionar sua situação nas esferas cível e penal, desde que haja condições legais para isso”, acrescenta o governo.

Caberá ao MPMG avaliar a conformidade dos acordos com a legislação ambiental e dar um parecer. O TJMG, por sua vez, terá a prerrogativa de homologar os acordos. A medida adotada não é inédita. No ano passado, o presidente da República, Michel Temer, assinou decreto permitindo a conversão de multas ambientais aplicadas por órgãos federais em prestação de serviços de melhoria do meio ambiente. Outros estados também já adotaram iniciativas semelhantes nesse sentido.

Passivo
De acordo com dados da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad), desde 2015 o órgão aplicou cerca de R$ 700 milhões em multas, mas apenas R$ 44 milhões foram recolhidos. Ao todo, o passivo está próximo de R$ 1,5 bilhão. Segundo a Semad, cerca de R$ 690 milhões seriam passíveis de serem revertidos em serviços ambientais seguindo o termo de cooperação assinado.

“Importante dizer que a conversão depende de uma avaliação do estado sobre se a medida não diminui o caráter sancionador e dissuasivo das multas. O projeto que está sendo firmado vai permitir que o Sisema não só exerça seu poder coercitivo na aplicação de penalidades, como também será uma ferramenta importante na recuperação dos danos ambientais causados”, diz o órgão.

Procurada pela Agência Brasil, a Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda) informou que ainda não teve acesso à íntegra do termo mas que a medida pode ser interessante se garantir a execução das penalidades impostas. “As ações a serem realizadas têm de ser obrigatoriamente, em nosso entendimento, atreladas a ganhos ambientais. Se eles trouxerem ganhos sociais ou de saúde, por exemplo, ótimo. Mas reparar o dano ambiental tem de ser o foco”, afirmou Dalce Ricas, superintendente da Amda.

 

 
Da Agência Brasil

Mortes de ciclistas aumentam 17,8% no estado de São Paulo

O número de mortes de ciclistas em acidentes de trânsito aumentou 17,8% no estado de São Paulo no primeiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2017, passando de 73 para 86 ocorrências. Os dados são do Infosiga SP, sistema do governo estadual de São Paulo que divulga dados de acidentes de trânsito.

“Vários fatores contribuem para esse dado, entre eles o aumento do número de ciclistas nas cidades. Temos atuado junto aos municípios e contemplado projetos que favorecem esse grupo, incluindo a construção de ciclovias e melhorias na sinalização. Mas é fundamental que os demais atores do trânsito tenham mais cuidado com o ciclista, que merece sempre nosso respeito e atenção”, disse, em nota, Silvia Lisboa, coordenadora do Movimento Paulista de Segurança no Trânsito, programa do governo para redução de mortes no trânsito.

cic-973455-df19082015-dsc_2601
A ciclovia da Avenida Paulista permite que o ciclista percorra vias exclusivas da Zona Oeste até a Zona Sul da cidade – Marcelo Camargo/Agência Brasil

Para a diretora da Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo – Ciclocidade, Aline Cavalcante, a lógica que relaciona a ampliação do número de ciclistas ao aumento das mortes em acidentes é errônea. Segundo ela, esse aumento tem a ver com a diminuição da fiscalização do trânsito. “Todos os dados internacionais, mesmo dados do município aqui de São Paulo e várias outras cidades do Brasil, demonstram que a relação é exatamente inversa: a medida em que se aumenta o número de ciclistas, você diminui o número de mortes, é inversamente proporcional”, disse.

Ela explicou que, com o aumento de ciclistas, há uma lógica de construir políticas públicas de incentivo a esse meio de transporte e que a cultura da bicicleta faz com que a sociedade comece a prestar mais atenção nesse modal. “Então, quanto mais se aumenta a visibilidade para a bicicleta, menores são as chances de acidentes fatais, a tendência é diminuir com o tempo”, acrescentou.

Aline destacou que é necessário ampliar não somente a malha de ciclovias e ciclofaixas, que em geral são responsabilidade das prefeituras, mas desenvolver, em nível estadual, políticas públicas de mobilidade entre cidades, especialmente na região metropolitana. “[Precisamos de] infraestrutura cicloviária nas rodovias, redução de velocidades em locais onde tem acesso a cidades e integração com transporte de massa [metrô, trem e ônibus intermunicipais]”, avaliou.

Mortes no trânsito
No mesmo período, o número de mortes em acidentes de trânsito no estado, em geral, registrou queda de 7,1%, passando de 1.298 para 1.206 ocorrências. Somente em março, foram 445 mortes ante 473 no mesmo mês do ano passado, ou seja, redução de 5,9%.

Nas vias municipais, a redução foi mais acentuada, apontou o levantamento. Ruas e avenidas tiveram 581 óbitos no primeiro trimestre, queda de 11,4% em relação a 2017, quando foram registrados 656 casos. Já nas rodovias que cortam o estado, foram registradas 512 mortes, redução de 3,6% ante o ano anterior, que teve 531 casos.

Os motociclistas lideram as estatísticas de mortes, no entanto, houve redução de 6,8% entre janeiro e março – 412 mortes neste ano ante 442 em 2017. Entre pedestres, também houve queda no número de mortes: foram 337 casos em 2018 contra 377 no ano passado, ou seja, redução de 10,6%. Ocupantes de automóveis aparecem na terceira posição, com redução de 0,7% (275 óbitos contra 277).

 

Da Agência Brasil São Paulo

Tiroteio em ônibus mata 2 e fere 5 na zona sul de SP

onib-frame-00-04-55Foto: Reprodução/TV Globo

Uma tentativa de assalto a um ônibus intermunicipal terminou em tiroteio e na morte de um policial militar e de um suspeito no Jabaquara, bairro da zona sul da capital paulista, no meio da tarde desta quinta-feira, 19. Três homens armados iniciaram um arrastão no veículo, roubando pertences de 1todos os passageiros, quando se depararam com o agente de folga, à paisana, que reagiu. Outras cinco pessoas ficaram feridas, segundo informou a PM.

A corporação relatou que foi acionada para atender a ocorrência por volta das 16 horas na Avenida Engenheiro Armando de Arruda Pereira. O veículo, da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), trafegava no corredor de ônibus da via no sentido bairro, próximo da Rua Fulfaro, quando o assalto foi anunciado.

Ainda de acordo com a PM, um dos suspeitos morreu no local. À noite, o segurança Pedro de Carvalho Souza, de 70 anos, pai da vítima, identificada apenas como Damião, de 32 anos, foi ao local do crime. “Eles me avisaram no trabalho o que tinha acontecido”, disse o pai. Souza relatou que o filho morava com ele, mas havia ocorrido um desentendimento recentemente. “Ele foi para um mau caminho. E, quando isso acontece, precisamos ficar preparados para o que der e vier.”

O policial ferido chegou a ser socorrido para uma unidade de saúde próxima, mas também não resistiu. Ele havia sido atingido no rosto. A corporação não divulgou sua identidade nem onde o policial trabalhava atualmente até as 23 horas.

Uma passageira foi baleada no abdome e o motorista do ônibus foi atingido por estilhaços na cabeça. As vítimas foram encaminhadas a unidades de saúde da região, que também não divulgaram o estado de saúde delas. No veículo, era possível notar ao menos uma marca de disparo, que atingiu o vidro dianteiro, próximo do banco do motorista. Dentro do veículo, um vidro interno, que separava o espaço do motorista da área dos passageiros, foi estilhaçado pelo impacto de outro tiro.

Investigação

O caso foi registrado no 26º Distrito Policial (Sacomã), que instaurará inquérito para apuração das circunstâncias do caso. Equipes do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) estiveram no local do crime, mas nem a Polícia Civil nem a Secretaria da Segurança Pública informaram sobre o envolvimento do departamento na investigação.

Dois criminosos estão foragidos. À noite, um suspeito de participar do arrastão chegou a ser detido, mas a polícia não confirmou o envolvimento dele com o crime nem divulgou sua identidade. Por volta das 22h30, quatro viaturas ainda faziam o isolamento da cena do crime e o corpo de Damião aguardava a chegada de equipes do Instituto Médico-Legal (IML) para recolhimento e realização de necropsia. Parte da avenida continuava bloqueada.

Estatística

Até o mês de fevereiro de 2018, a área do 26.º DP não havia registrado nenhum caso de homicídio. No primeiro bimestre, aconteceram 137 roubos, 13 casos a menos do que no mesmo período do ano passado. Ao longo do ano de 2017, a área da delegacia da zona sul registrou apenas dois casos de homicídio, um latrocínio e um total de 997 roubos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Estadão

Eleição presidencial já tem 16 pré-candidatos oficializados

A exatos seis meses da eleição presidencial deste ano, pelo menos 16 nomes já se colocaram publicamente na disputa. Os partidos devem anunciar seus pré-candidatos até o início de agosto, quando termina o prazo para cada legenda definir as candidaturas nas convenções.

Dentre os concorrentes ao pleito, há ex-presidentes, senadores, deputados, ex-ministros e até um ex-ministro do Supremo Tribunal Federal.

Aldo Rebelo – Solidariedade

O partido Solidariedade lançou nesta segunda-feira (16), na capital paulista, a pré-candidatura do ex-ministro e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo, à Presidência da República. “O Solidariedade é uma legenda que tem identidade com meu pensamento, minha trajetória, meus valores e com as perspectivas que eu tenho”, disse Aldo Rebelo.

Segundo ele, sua candidatura pretende buscar a união nacional em torno dos grandes interesses do país. Aldo destacou que vê como necessária a junção das forças políticas da direita e esquerda em prol do Brasil. “Desde que os objetivos sejam comuns: a retomada do crescimento da economia, o desenvolvimento do país, a redução das desigualdades e a valorização da democracia, pois sem isso não há solução para nenhum dos impasses que o Brasil vive no momento”, disse.

Alagoano, Aldo Rebelo iniciou sua trajetória política em movimentos contra a ditadura militar e no movimento estudantil dos anos 80. Foi deputado federal por seis mandatos consecutivos, chegando a presidir a Câmara dos Deputados entre 2005 e 2007. Foi também ministro nas áreas de Ciência e Tecnologia, Esporte e Defesa.

Álvaro Dias – Podemos

O senador Álvaro Dias será o candidato do Podemos. Eleito senador em 2014, pelo PSDB, Álvaro Dias migrou para o PV e, em julho do ano passado, buscou o Podemos, antigo PTN. Com a candidatura do senador, a legenda quer imprimir a bandeira da renovação da política e da participação direta do povo nas decisões do país por meio de plataformas digitais.

“Nós temos que rediscutir a representação parlamentar. Não somos senadores demais, deputados e vereadores demais? Está na hora de reduzirmos o tamanho do Legislativo no país, tornando-o mais enxuto, econômico, ágil e competente”, afirmou Dias, em entrevista concedida esta semana no Congresso Nacional.

O político, de 73 anos, está no quarto mandato de senador. De 1987 a 1991, foi governador do Paraná, à época pelo PMDB. Na década de 1970, foi deputado federal por três legislaturas e, antes, foi vereador de Londrina (PR) e deputado estadual no Paraná. Álvaro Dias é formado em História.

Ciro Gomes – PDT

Pela terceira vez concorrendo ao posto mais alto do Executivo, o ex-governador do Ceará Ciro Gomes vai representar o PDT na disputa presidencial. Ao anunciar o seu nome como pré-candidato na última quinta-feira (8), o pedetista adotou um discurso contra as desigualdades e propondo um “projeto de desenvolvimento” para o país.

“Não dá para falar sério em educação que emancipe, não dá para falar sério em segurança que proteja e restaure a paz da família brasileira sem ter compromisso sério para dizer de onde vem o dinheiro”, disse, no ato de lançamento da pré-candidatura.

Ciro Ferreira Gomes tem 60 anos e é formado em Direito. Ele foi governador do Ceará por dois mandatos, ministro da Fazenda no governo de Itamar Franco e da Integração Nacional no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Antes, ocupou a prefeitura de Fortaleza e o cargo de deputado estadual. Em 1998 e 2002, ele foi candidato à Presidência, tendo ficado em terceiro e quarto colocado, respectivamente.

Fernando Collor – PTC

O senador e ex-presidente da República Fernando Collor vai concorrer pelo PTC. Ele foi presidente da República entre 1990 e 1992, quando sofreu impeachment e foi substituído pelo então vice-presidente Itamar Franco. Foi o primeiro presidente a ser eleito pelo voto direto após o regime militar (1964-1985).

Depois de ter os direitos políticos cassados, ele se candidatou ao Senado em 2006, tendo sido eleito, e reconduzido ao cargo em 2014. Antes de ocupar a Presidência, o jornalista e bacharel em Ciências Econômicas, formado pela Universidade Federal de Alagoas, foi governador de Alagoas (1986) e deputado federal (1982).

Em discurso em fevereiro na tribuna do Senado, Fernando Collor de Mello disse que sua pré-candidatura é a retomada de uma missão pelo país. E afirmou que pretende alavancar novamente o país, mediante um novo acordo com a sociedade. “Isso só será possível com planejamento e com sólido programa social que seja tecnicamente recomendável, politicamente viável e socialmente aceito”, destacou.

Flávio Rocha – PRB

O empresário Flávio Rocha é o pré-candidato pelo PRB, legenda ao qual se filiou em março.

Pernambucano, Flávio Gurgel Rocha exerce atualmente a função de CEO do Grupo Guararapes, um dos maiores grupos empresariais do país. “Nós temos sim a responsabilidade de colocar o Brasil nos trilhos da prosperidade. Essa prosperidade é resultado de liberdade econômica e política. É para isso que estou de casa nova, no PRB”, disse Rocha no dia do lançamento da pré-candidatura.

Já foi eleito deputado federal por duas vezes (1987-1990/1991-1994) e membro da Assembleia Nacional Constituinte. Foi um dos fundadores do IDV (Instituto de Desenvolvimento do Varejo). Ele é casado e pai de quatro filhos.

Geraldo Alckmin – PSDB

Após a desistência de outros quadros da sigla, o PSDB oficializou, no último dia 20, a pré-candidatura do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Esta será a segunda vez que ele disputará a vaga. Em dezembro do ano passado, em uma movimentação para unir os demais quadros tucanos em torno de sua candidatura, Alckmin foi eleito presidente nacional do PSDB.

Na entrevista coletiva em que anunciou a pré-candidatura, Alckmin afirmou que irá destravar a economia e colocou como prioridades a desburocratização, uma reforma tributária, retomar a agenda da reforma da Previdência e reduzir os juros.

Geraldo Alckmin tem 65 anos, é formado em medicina e é um quadro histórico do PSDB em São Paulo. Ele começou a carreira como vereador em Pindamonhangaba, no interior do estado. Foi prefeito da cidade, deputado estadual e deputado federal na Assembleia Nacional Constituinte. Vice-governador de 1995 a 2001, ele assumiu a administração paulista após a morte de Mário Covas, sendo reeleito em 2002. Disputou o Planalto em 2006, quando foi derrotado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no 2º turno. Eleito em 2010 para mais um mandato à frente do governo de São Paulo, Alckmin foi reeleito em 2014.
Guilherme Boulos – PSOL

Depois de uma consulta interna que contou com outros três nomes, o PSOL decidiu lançar a pré-candidatura de Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), após ele se filiar à sigla no início do mês de março. Repetindo a estratégia das últimas eleições de apresentar uma opção mais à esquerda que os demais partidos, o PSOL participará com candidato próprio à corrida presidencial, que em 2010 e 2014 teve os nomes de Plínio de Arruda Sampaio e Luciana Genro na disputa.

Segundo Boulos, é preciso levar a indignação dos cidadãos para dentro da política. Como bandeiras de campanha, ele elencou o combate aos privilégios do “andar de cima” da economia e a promoção de plebiscitos e referendos de consulta à população sobre temas fundamentais. “Nós queremos disputar o projeto de país. Não teremos uma candidatura apenas para demarcar espaço dentro da esquerda brasileira. Vamos apresentar uma alternativa real de projeto para o Brasil”, afirmou.

Um dos líderes do movimento pelo direito à moradia no Brasil, Boulos ficou conhecido nacionalmente após as mobilizações contra a realização da Copa do Mundo no país, em 2014. Como liderança do MTST, ele organizou a ocupação de áreas urbanas, em especial no estado de São Paulo. Formado em Filosofia e Psicologia, Boulos tem 35 anos.

Jair Bolsonaro – PSL

Deputado federal na sétima legislatura, Bolsonaro se filiou ao PSL na última quarta-feira (7). Considerado polêmico por suas bandeiras, Jair Bolsonaro defende a ampliação do acesso a armas e um Estado cristão, além de criticar modelos de família, segundo ele, “não tradicionais”, como casamento homossexual.

“Nós temos propósitos, projeto e tudo para começar a mudar o Brasil. Nós somos de direita, respeitamos a família brasileira. Está na Constituição que o casamento é entre homem e mulher e ponto final. Esse pessoal é o atraso, uma comprovação de que eles não têm propostas e que a igualdade que eles pregam é na miséria”, afirmou, durante o ato de filiação ao PSL. De acordo com o partido, ainda não há uma data de lançamento oficial da pré-candidatura.

Nascido em Campinas, Jair Messias Bolsonaro tem 62 anos. Ele é formado em Educação Física e militar de carreira. Ele foi para a reserva das Forças Armadas em 1988, após se envolver em atos de indisciplina e ser eleito vereador pelo Rio de Janeiro. Desde 1991, assumiu uma cadeira na Câmara dos Deputados. Foi eleito deputado em 2014 pelo PP, mas migrou para o PSC.

João Amoêdo – Novo

Com 55 anos, João Amoêdo é o candidato pelo partido Novo, que ajudou a fundar. Formado em engenharia e administração de empresas, fez carreira como executivo do mercado financeiro.

Amoêdo foi um dos fundadores do Partido Novo, que teve seu registro homologado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2015. A disputa presidencial em 2018 será a primeira experiência política dele.

Entre as principais bandeiras de Amoêdo, assim como do Partido Novo, estão a maior autonomia e liberdade do indivíduo, a redução das áreas de atuação do Estado, a diminuição da carga tributária e a melhoria na qualidade dos serviços essenciais, como saúde, segurança e educação. “É fácil acabar com a desigualdade, basta tornar todo mundo pobre. Ao combater a desigualdade você não está preocupado em criar riqueza e crescer, você só está preocupado em tornar todo mundo igual. O importante é acabar com a pobreza e concentrar na educação básica de qualidade para todos”, diz o candidato em sua página oficial na internet.

José Maria Eymael – PSDC

Já o PSDC confirmou no último dia 15 de março a pré-candidatura do seu presidente nacional, José Maria Eymael, que vai concorrer pela quinta vez.

Além de fundador do PSDC, José Maria Eymael é advogado e nasceu em Porto Alegre. Sua trajetória política começou na capital gaúcha, onde foi um dos líderes da Juventude Operária Católica. Em 1962, filiou-se ao Partido Democrata Cristão (PDC) e atuou como líder jovem do partido.

Em 1986, foi eleito deputado federal por São Paulo. Em 1990, conquistou o segundo mandato na Câmara dos Deputados. Como parlamentar federal, Eymael defendeu a manutenção da palavra Deus no preâmbulo da atual Constituição Federal durante a Assembleia Constituinte, considerado um marco em sua trajetória política.

Levy Fidelix – PRTB

Outro candidato recorrente ao pleito é o jornalista e publicitário Levy Fidelix, representando o partido do qual é fundador: PRTB. Abordando temas em defesa da família e dos “bons costumes”, ele buscará aproveitar o momento de insatisfação dos brasileiros com a corrupção para se dizer um candidato “ficha limpa”.

Fidelix concorreu ao cargo nas eleições de 2014, 2010 e de 1994.

Antes de criar o PRTB, Fidelix participou da fundação do Partido Liberal (PL), em 1986, quando se lançou na carreira política e disputou uma vaga na Câmara dos Deputados pelo estado de São Paulo. Depois, migrou para o Partido Trabalhista Renovador (PTR), quando também concorreu a um mandato de deputado federal, no início dos anos 90. Apresentador de televisão, professor universitário e publicitário, Fidelix já concorreu três vezes à prefeitura da capital paulista e duas vezes ao governo do estado.

Manuela D’Ávila – PCdoB

A deputada estadual do Rio Grande do Sul, Manuela D’Ávila, será a candidata pelo PCdoB. A ex-deputada federal, por dois mandatos, teve a pré-candidatura lançada pelo partido comunista em novembro do ano passado. Esta é a primeira vez que o PCdoB lançará candidato próprio desde a redemocratização de 1988. Um dos motes da campanha será o combate à crise e à “ruptura democrática” que, segundo a legenda, o país vive.

“Trata-se de uma pré-candidatura que tem como algumas de suas linhas programáticas mais gerais a retomada do crescimento econômico e da industrialização; a defesa e ampliação dos direitos do povo, tão atacados pelo atual governo; a reforma do Estado, de forma a torná-lo mais democrático e capaz de induzir o desenvolvimento com distribuição de renda e valorização do trabalho”, escreveu a presidente nacional do partido, Luciana Santos, ao lançar a candidatura de Manuela D’Ávila.

Manuela D’Ávila tem 37 anos e é formada em jornalismo. Ela é filiada ao PCdoB desde 2001, quando ainda era do movimento estudantil. Em 2004, foi eleita a vereadora mais jovem de Porto Alegre. Dois anos depois, se candidatou ao cargo de deputada federal pelo Rio Grande do Sul e se tornou a mais votada do estado. Em 2008 e 2012, disputou a prefeitura da capital gaúcha, mas ficou em terceiro e segundo lugar, respectivamente. Desde 2015, ocupa uma vaga na Assembleia Legislativa do estado.

Marina Silva – Rede Sustentabilidade

A ex-senadora Marina Silva vai disputar a Presidência pela terceira vez consecutiva. Integrante da sigla Rede Sustentabilidade, Marina tem como plataforma a defesa da ética, do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável.

Ela é crítica do mecanismo da reeleição, que, segundo ela, se tornou um “atraso” no país. “Sou pré-candidata à Presidência para unir os brasileiros a favor do Brasil. Os governantes precisam fazer o que é melhor para o país e não o que é melhor para se perpetuar no poder. Chega de pensar apenas em interesses pessoais e partidários”, escreveu recentemente em seu perfil do Facebook.

Marina Silva militou ao lado do líder ambientalista Chico Mendes na década de 1980. Filiada ao PT, ela foi eleita vereadora de Rio Branco e deputada estadual, antes de ocupar dois mandatos de senadora representando o Acre. Por cinco anos, foi ministra do Meio Ambiente do governo Lula e se desfiliou do PT um ano após deixar o cargo. Ela foi candidata ao Planalto em 2010 pelo PV e, em 2014, assumiu a candidatura do PSB à Presidência após a morte do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos.

Paulo Rabello de Castro – PSC

Até a semana passada no comando do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o economista Paulo Rabello de Castro deixou o cargo para confirmar a disposição de disputar à Presidência. Segundo o PSC, embora não tenha promovido um ato de lançamento, a legenda já trabalha com a pré-candidatura como oficial. Desde fevereiro, ele participa de eventos partidários pelo país junto ao presidente da sigla cristã, Pastor Everaldo, que concorreu à Presidência no pleito de 2014.

As principais bandeiras do PSC são contra a descriminalização das drogas e a legalização do aborto. “Temos uma sociedade cujos valores morais estão completamente invertidos. Onde a arma na mão do bandido é uma arma livre, mas a arma na sua mão é proibida. E eventualmente você vai preso por portá-la. Quando o bom comportamento da família é zombado pelas novelas pornográficas e toda pornografia é enaltecida, como preservar a família nacional”, disse, durante recente ato.

Doutor em economia pela Universidade de Chicago, Paulo Rabello de Castro foi fundador da primeira empresa brasileira de classificação de riscos de crédito, a SR Rating, criada em 1993. Autor de livros sobre a economia e a agricultura brasileiras, o pré-candidato foi presidente do Lide Economia, grupo de empresários que têm em comum a defesa da livre iniciativa. Ele também coordenou o movimento Brasil Eficiente. Em 2016, foi indicado para a presidência do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e comandou a instituição de pesquisa por onze meses, até assumir a presidência do BNDES, em maio do ano passado.

Rodrigo Maia – DEM

Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (RJ) é o pré-candidato pelo DEM. Maia tem buscado ser uma alternativa de centro e, em suas próprias palavras, “sem radicalismos”. Ele assumiu o comando da Câmara após a queda de Eduardo Cunha (MDB-RJ), preso pela Operação Lava Jato, e ganhou mais protagonismo político pelo cargo que ocupa, já que é o responsável por definir a pauta de projetos importantes, como a reforma da Previdência.

Segundo ele, a pauta da Câmara não será prejudicada devido à sua candidatura ao Planalto. “A gente tem responsabilidade com o Brasil, já deu demonstrações disso. O projeto político do DEM é legítimo e é feito em outro momento e local, não tem problema nenhum disso”, afirmou.

Filho do ex-prefeito do Rio, César Maia, o político está no quinto mandato como deputado federal. Em 2007, assumiu a presidência nacional do DEM, após a reformulação do antigo PFL. Rodrigo Maia ingressou, mas não chegou a concluir o curso de Economia. Foi secretário de Governo do município do Rio de Janeiro no final da década de 1990, na gestão de Luiz Paulo Conde, que à época era aliado de César Maia.

Vera Lúcia – PSTU

O PSTU, que nas últimas vezes concorreu com o candidato José Maria de Almeida (Zé Maria), lançará uma chapa tendo a sindicalista Vera Lúcia como candidata à Presidência.

Vera Lúcia, 50 anos, foi militante no PT e integrante do grupo fundador do PSTU.

O vice na chapa é Hertz Dias, 47 anos, militante do movimento negro.

MDB

Com a promessa de, pela primeira vez depois de 24 anos, apresentar ao país um candidato à Presidência da República, o MDB ainda não definiu oficialmente como formará a chapa para a disputa. Nesta semana, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles se filiou à sigla.

No entanto, ao deixar o comando do Ministério da Fazenda na sexta-feira (6), Meirelles não informou a qual cargo pretende concorrer. Mas é cogitado como opção ao lado do presidente Michel Temer.

O presidente Michel Temer não descartou a possibilidade de concorrer à reeleição. Nos últimos meses, o partido tem feito movimentos de resgate à história da legenda, que tem mais de 50 anos. Foi com esse intuito que mudou a sigla de PMDB para MDB. A decisão sobre a candidatura, porém, ainda não está tomada.

PSB

Após a morte do ex-ministro e então presidente nacional do partido, Eduardo Campos, em plena campanha eleitoral de 2014, o PSB passou por dificuldades de identificação e falta de lideranças nos últimos anos. Nessa sexta-feira (6), porém, a sigla recebeu a filiação do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, e tem nele a grande aposta de participar do pleito deste ano.

Como membro da Suprema Corte de 2003 a 2014, Joaquim Barbosa ganhou notoriedade durante o período em que foi relator do processo do mensalão, que condenou políticos de diversos partidos pela compra de apoio parlamentar nos primeiros anos de governo do PT. Antes, foi membro do Ministério Público Federal, funcionário do Ministério da Saúde e do Itamaraty.

De acordo com o líder do PSB na Câmara, deputado Júlio Delgado (MG), que tem participado das conversas com Barbosa, o nome dele fica eleitoralmente viabilizado, embora ainda seja necessário construir sua candidatura por todo o Brasil. “Ao se filiar, até pela viabilidade que já mostra, eu acho que o nome dele já fica irreversível. Acho que ele é o candidato capaz de unir o Brasil, tranquilizar, trazer a decência necessária contra essa divisão de lados [que o país vive]”, disse à Agência Brasil.

PT

Depois de ganhar as últimas quatro eleições, o PT anunciou a pré-candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas dificilmente conseguirá lançá-lo à disputa. Lula foi preso nesse sábado (7) para cumprimento da pena de 12 anos e 1 mês de prisão.

Ele foi condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) a 12 anos e um mês de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Embora o cenário seja desfavorável, aliados defendem que Lula recorra ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em busca de uma autorização para se candidatar, já que a Lei da Ficha Limpa prevê a impugnação das candidaturas de políticos condenados em segundo grau da Justiça.

Outros nomes cotados dentro do partido são do ex-governador da Bahia Jaques Wagner e o do ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, além de optar por apoiar a candidatura de outro partido da esquerda.

Prazos

De acordo com a legislação, os partidos políticos devem promover convenções nacionais com seus filiados entre 20 de julho e 5 de agosto para que oficializem as candidaturas. A data final para registro das candidaturas pelos partidos políticos na Justiça Eleitoral é 15 de agosto.

 

* Colaborou Bruno Bocchini, de São Paulo

* Texto atualizado no dia 16/04/2018

 
Da Agência Brasil*

Turma do STF decide nesta terça-feira se aceita denúncia contra Aécio Neves

aec-1103514
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decide hoje (17) sobre o recebimento da denúncia contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG) em um dos inquéritos resultantes da delação do empresário Joesley Batista, da JBS.

A sessão está marcada para as 14h. A Primeira Turma é composta pelos seguintes ministros: Marco Aurélio Mello (relator), Alexandre de Moraes (presidente), Luís Roberto Barroso, Luiz Fux e Rosa Weber.

Segundo a denúncia, Aécio solicitou a Joesley Batista, em conversa gravada pela Polícia Federal (PF), R$ 2 milhões em propina, em troca de sua atuação política. O senador foi acusado dos crimes de corrupção passiva e tentativa de obstruir a Justiça.

Também são alvos da mesma denúncia a irmã do senador, Andrea Neves, o primo dele, Frederico Pacheco, e Mendherson Souza Lima, ex-assessor parlamentar do senador Zezé Perrella (PMDB-MG), flagrado com dinheiro vivo. Todos foram acusados de corrupção passiva.

Em entrevista à imprensa ontem (16), Aécio negou as acusações, criticou a Procuradoria-Geral da República (PGR) e desacreditou as informações obtidas por meio da delação de Joesley Batista, um dos executivos da J&F.

Nesta segunda-feira (16), a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, reiterou no Supremo Tribunal Federal (STF) pedido de abertura de ação penal contra o senador Aécio Neves. Se o pedido for aceito, o senador se tornará réu do processo.

 
Da Agência Brasil

Cotia:Inscrições abertas para oficinas do Sebrae

Da Redação

Além de oficinas mensais, o Sebrae Cotia oferece consultoria gratuita para empreendedores do município

Estão abertas as inscrições para as oficinas sobre “Formalização” e “Ganha Mercado”, oferecidas gratuitamente por meio de parceria entre a Secretaria de Indústria e Comércio de Cotia e o Sebrae, nos dias 23 e 24 de abril, das 18h às 21h.

A oficina Formalização é uma capacitação ideal para potenciais empresários que têm ideia de negócio ou que já tenham uma iniciativa de negócio. Os participantes aprenderão passo a passo como formalizar o seu negócio, direitos e deveres, vantagens e benefícios da formalização, além do risco da informalidade.

A oficina Ganhe Mercado busca auxiliar o empreendedor na criação de estratégia de marketing, pois ela pode ser responsável por fazer com que a empresa ganhe mercado ao entender tudo o que está englobado nele.

Para se inscrever, basta comparecer ao posto do Sebrae Aqui, situado na Secretaria de Industria e Comércio, rua Água Marinha, 68, Jardim Nomura. Informações pelo telefone 4280-3999, ou pelo e-mail: sebraeaquicotia2@gmail.com. O curso será rua Mesopotâmia, 109, Jardim Passargada.

Sebrae