Eleições 2018:Ideias fora do tempo

‘Unidade’ é o eufemismo para chamado a renúncias em favor de Alckmin

Há quatro décadas, investigando o fermento liberal na obra de Machado de Assis, Roberto Schwarz inventou as “ideias fora do lugar”. Dias atrás, na tentativa de refazer o cenário eleitoral, os tucanos inventaram as ideias fora do tempo.

O manifesto “Por um polo democrático e reformista” conclama “liberais, democratas, social-democratas, democrata-cristãos e socialistas democráticos” à união contra “populismos radicais, autoritários e anacrônicos”. Seus 17 itens são sementes de um discurso capaz de seduzir a maioria dos eleitores, órfãos de representação política. Mas o tempo passou na janela e a notória Carolina não viu.

As “ideias iniciais para alimentar o debate”, como o manifesto classifica suas proposições, traçam fronteiras com Bolsonaro (defesa da liberdade e da democracia) e com Ciro (busca do equilíbrio fiscal). Lá está a plataforma reformista nos campos da economia (Previdência, tributação) e das instituições (reforma do Estado, reforma política). O combate à pobreza é conectado à ampliação da produtividade e à qualificação dos serviços públicos (educação, saúde).

O texto enfatiza o combate à corrupção e à criminalidade, evidenciando que esses temas fundamentais não devem ser entregues à sanha do discurso demagógico. Contudo, no atual estágio da corrida eleitoral, tudo isso soa como operação da campanha de Alckmin.

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O ex-governador de SP Geraldo Alckmin (PSDB) durante sabatina do jornal Correio Braziliense com pré-candidatos à Presidência da República – Pedro Ladeira – 06.jun.2018/Folhapress

Inicialmente firmado pelos tucanos FHC, Aloysio Nunes e Marcus Pestana e pelo senador Cristovam Buarque, do PPS, o manifesto apresenta-se como ponto de partida de uma “obra coletiva envolvendo partidos políticos e lideranças da sociedade civil”. No universo onírico instalado por essas palavras, a eleição presidencial surge como horizonte distante: o ponto de chegada.

De fato, como o tempo não para, a fragmentação do centro político já se estratificou em diversas candidaturas. Nessas circunstâncias, “unidade” é o eufemismo para um chamado a improváveis renúncias eleitorais em favor do candidato tucano.

O ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD)

O ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD) Zanone Fraissat/Folhapress

Rodrigo Maia e Henrique Meirelles são candidatos especulativos. DEM e MDB não usarão recursos escassos para investidas fadadas ao fracasso. Mas suas decisões sobre coligação dependerão das sondagens de opinião. Por outro lado, Marina e Alvaro Dias são candidatos firmes: eles não miram necessariamente o Planalto, mas a viabilização eleitoral de seus partidos.

A minirreforma política aprovada pelo Congresso ameaça inviabilizar a participação dos pequenos partidos no pleito de 2022. Os dois candidatos não sacrificarão seus projetos partidários no altar etéreo do manifesto da Carolina.

A maioria dos cientistas políticos profetiza que a próxima eleição presidencial terminará reiterando o modelo de todas as anteriores, desde 1994, polarizadas entre PSDB e PT. O argumento é que, apesar de tudo, prevalecerão as máquinas partidárias e uma inércia sistêmica.

A profecia acalenta as esperanças de Alckmin e pode até revelar-se correta, mas origina-se menos da análise objetiva que dos interesses profissionais dos analistas: os partidos tradicionais e seus candidatos, sempre é bom lembrar, formam o núcleo do mercado de trabalho dos cientistas políticos. No fim das contas, é a hipótese alternativa, de uma eleição de crise, mais parecida com a de 1989, que provocou o lançamento do manifesto tucano.

Desde a reeleição de FHC, no longínquo 1998, o PSDB desistiu de formular ideias políticas.

Sob os governos lulopetistas, acuado pelo discurso populista, trancou-se na jaula estreita da denúncia da corrupção. O manifesto seria uma retomada do fio partido e, talvez, a fonte de uma rearticulação do centro político –se produzido no rescaldo das eleições municipais de 2016.

O PSDB preferiu, porém, aguardar que o Planalto caísse no seu colo graças à inércia do sistema político. Agora é tarde: suas belas ideias perderam-se nas dobras do tempo.

Demétrio Magnoli
É doutor em geografia humana e especialista em política internacional.

 

 
DA FOLHA DE SÃO PAULO

EDIÇÃO IMPRESSA

 

Corinthians recebe o Vitória em busca de tranquilidade para Loss

corinthians_0806-289Foto:Fernando Dantas/Gazeta Pres

Com apenas dois jogos pela frente antes de o Campeonato Brasileiro entrar em recesso para a Copa do Mundo, o Corinthians precisa vencer para dar tranquilidade ao técnico Osmar Loss na intertemporada. O próximo desafio do sucessor de Fábio Carille será contra o Vitória, às 21 horas (de Brasília) deste sábado, em Itaquera.

Loss, que acumula três derrotas, um empate e somente uma vitória no comando corintiano, teve pouco tempo para ajustar a sua equipe em busca de um segundo triunfo. O Corinthians jogou na noite de quarta-feira contra o Santos, também em casa, onde cedeu um frustrante empate por 1 a 1 ao rival.

“A novidade é a pouca possibilidade de dar treino. Na base, eu conseguia preparar uma estratégia para um adversário específico. Aqui, no profissional, a gente já tem jogo no sábado”, lamentou Loss, que, pressionado, já abre mão de um jogo vistoso nos próximos compromissos. “Estamos negociando duas vitórias, independentemente de como sejam.”

Terão que ser sem o zagueiro Balbuena e o atacante Romero. Os paraguaios estão com a seleção do seu país, que enfrentará o Japão em amistoso marcado para 12 de junho, na Áustria. O prata da casa Pedro Henrique e o jovem meia Mateus Vital aparecem como prováveis substitutos.

No Vitória, eliminado pelo Corinthians da Copa do Brasil em maio, o técnico Vagner Mancini voltará a ter o goleiro Elias e o volante Rodrigo Andrade à disposição. O primeiro não participou do triunfo por 1 a 0 sobre a Chapecoense em função de uma cláusula no seu contrato de empréstimo, enquanto o segundo cumpriu suspensão.

FICHA TÉCNICA
CORINTHIANS X VITÓRIA

Local: Arena Corinthians, em São Paulo (SP)
Data: 9 de junho de 2018, sábado
Horário: 21 horas (de Brasília)
Árbitro: Péricles Bassols Pegado Cortez (PE)
Assistentes: Clóvis Amaral da Silva (PE) e Cleberson do Nascimento Leite (PE)

CORINTHIANS: Walter; Mantuan, Pedro Henrique, Henrique e Sidcley; Gabriel, Maycon, Pedrinho, Rodriguinho e Mateus Vital; Roger
Técnico: Osmar Loss

VITÓRIA: Elias; Cedric, Kanu, Aderllan e Jeferson; Rodrigo Andrade, Lucas Marques, Neílton, Rahyner e Wallyson; André Lima
Técnico: Vagner Mancini

 

Da Gazeta Esportiva São Paulo, SP

 

Confira os jogos do Campeonato Brasileiro Série A

Da Redação

Veja os jogos da 11ª rodada do Brasileirão 2018

SÁB – 09/06/2018 

BRASILEIRO SÉRIE A
11ª Rodada
16H00-Atlético-PR X São Paulo SÃO ARENA DA BAIXADA
19H00-Chapecoense X Cruzeiro ARENA CONDÁ
19H00-Vasco X Sport  SÃO JANUÁRIO
21H00-Corinthians X Vitória-BA  ARENA CORINTHIANS

DOM – 10/06/2018
16H00-Atlético-MG X Fluminense INDEPENDÊNCIA
16H00- Bahia X Botafogo ARENA FONTE NOVA
16H00-Ceará X Palmeiras CASTELÃO
16H00-Grêmio X América-MG GRÊMIO ARENA
19H00-Flamengo X Paraná MARACANÃ
19H00-Santos X Internacional VILA BELMIRO