Timão aposta em estratégia defensiva para primeira final contra o Cruzeiro

cru-44466374532_7c785f57fb_h-1024x683Mano Menezes quer levar o Cruzeiro ao seu sexto título de Copa do Brasil (Foto: Vinnicius Silva/Cruzeiro E.C.)

Vaga na Libertadores de 2019, grande prêmio em dinheiro, a chance de conquista de um título nacional. Muito está em jogo para Cruzeiro e Corinthians, que iniciam, nesta quarta-feira, os primeiros 90 minutos da grande decisão da Copa do Brasil. O confronto está marcado para às 21h45 (horário de Brasília), no Estádio do Mineirão, em Belo Horizonte.

Após eliminar o favorito Palmeiras, a equipe celeste fará a partida de ida da final do torneio mata-mata em seus domínios, e quer aproveitar tal fato para construir uma vantagem importante antes do duelo em Itaquera. Os alvinegros, por sua vez, apostam justamente no fator casa para compensar a inferioridade técnica na disputa. Para isso, precisam ao menos segurar um empate no estádio adversário e levar a decisão para São Paulo.

ENTREVISTA DO TÉCNICO DO CORINTHIANS JAIR VENTURA PARA A GAZETA ESPORTIVA
Jair Ventura é estreante em decisões (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

No Corinthians de Jair Ventura, a escalação para a primeira final já não é mais mistério. Na reta final do processo de recuperação de uma fibrose na coxa esquerda, o lateral direito Fagner treinou com os companheiros de equipe e deve ser o titular para o confronto no Mineirão.

Por outro lado, o comandante do Timão não poderá contar com o suspenso Douglas, habitual titular. No lugar do meia, Jair Ventura deve promover o retorno de Gabriel em sua posição de origem – a de volante, ao lado de Ralf. Com a lesão de Fagner, o jogador “tapava o buraco” na lateral direita, já que o treinador corintiano não enxerga Mantuan como membro do setor defensivo, diferentemente de Fábio Carille.

Já o técnico Mano Menezes, do Cruzeiro, tem um grande problema para disputar a final da Copa do Brasil diante do Timão. O meia Arrascaeta foi convocado para os amistosos da seleção uruguaia e não vai para a partida.

A diretoria do Cruzeiro tentou a liberação do jogador, no entanto, o atleta não ficou livre. O jogador fez contato com a comissão técnica e companheiros para explicar que se trata de uma final de torneio nacional, mas nem isso aliviou a situação. A justificativa para a convocação é que o Uruguai está formando o elenco para os próximos anos e contar com Arrascaeta neste momento é fundamental.

“Ficamos tristes por não ter a oportunidade de contar com o Arrascaeta, mas cientes de que o clube tem jogadores para a posição. Estamos bem tranquilos. O Mano tem total confiança em todos os jogadores, e o grupo também. A situação do Arrascaeta não foi favorável ao Cruzeiro. O clube sempre sai prejudicado dentro dessa situação, por não ter a possibilidade de ter o jogador. A coerência seria a melhor forma da seleção uruguaia. Analisar o quanto o clube precisa”, destacou o goleiro Fábio.

Sem Arrascaeta, Mano Menezes deve optar por colocar em campo o velocista Rafinha. Ele não se saiu bem nos duelos contra o Boca Juniors, pela Copa Libertadores, porém ainda tem a preferência do treinador azul. Rafael Sóbis e David são outras opções.

O restante da equipe não deve sofrer alterações em relação ao time que entrou em campo na decisão contra a equipe argentina, na última semana, pela competição internacional. No entanto, não é possível ter certeza, pois Mano Menezes fechou totalmente os treinamentos. A tendência, contudo, é de que o time celeste vá para cima dos adversários em seus domínios.

Por sua vez, a abordagem do clube do Parque São Jorge no confronto deve ser a mesma da primeira partida das semifinais contra o Flamengo, como Ralf apontou antes da decisão no Mineirão. À ocasião, o Corinthians mal atacou e buscou apenas se defender, segurar o empate e levar a decisão para a Arena de Itaquera.

A estratégia é justificada por uma declaração de um dos principais líderes do elenco alvinegro. Em entrevista coletiva concedida antes do jogo, o goleiro Cássio reconheceu que a equipe do Cruzeiro tem maior qualidade técnica, sem deixar de apostar também na famosa raça corintiana.

“Acho que em uma final, se você for ver o peso das duas camisas, são duas grandes equipes, os times que mais vêm ganhando títulos nos últimos anos. Se for ver por qualificação, a equipe do Cruzeiro é mais qualificada tecnicamente, pode ser melhor que o Corinthians, mas quando fomos campeões, teve outro espírito. Se for ver o histórico, tem muitos títulos na vontade, na dedicação”, afirmou o arqueiro.

FICHA TÉCNICA
CRUZEIRO x CORINTHIANS

Local: Estádio Mineirão, em Belo Horizonte (MG)
Data: 10 de outubro de 2018, quarta-feira
Horário: 21h45 (horário de Brasília)
Árbitro: Anderson Daronco (Fifa-RS)
Assistentes: Alessandro Álvaro Rocha de Matos (Fifa-BA) e Fabricio Vilarinho da Silva (Fifa-GO)

CRUZEIRO: Fábio; Edilson, Dedé, Léo e Egídio; Henrique, Lucas Silva, Rafinha, Thiago Neves e Robinho; Barcos
Técnico: Mano Menezes

CORINTHIANS: Cássio; Fagner, Léo Santos, Henrique e Danilo Avelar; Ralf, Gabriel, Mateus Vital e Jadson; Clayson e Romero
Técnico: Jair Ventura

 

 

 
Do correspondente Marcellus Madureira – Belo Horizonte, MG
Gazeta Esportiva SP

 

Procuradoria investiga guru de Bolsonaro sob suspeita de fraude

Ministério Público apura indícios em negócios de Paulo Guedes com fundos de pensão; ele não comenta

O MPF (Ministério Público Federal) em Brasília investiga o economista Paulo Guedes, guru de Jair Bolsonaro (PSL), sob suspeita de se associar a executivos ligados ao PT e ao MDB para praticar fraudes em negócios com fundos de pensão de estatais.

Em seis anos, ele captou ao menos R$ 1 bilhão dessas entidades. Guedes é o escolhido para assumir o Ministério da Fazenda em um eventual governo Bolsonaro.

Um procedimento investigativo criminal, instaurado no dia 2, apura se o economista cometeu os crimes de gestão fraudulenta ou temerária.

paulo-gued-15390543695bbc1b217170f_1539054369_3x2_lg
O economista Paulo Guedes – Daniel Ramalho – 08.out.2018/AFP

Ele é investigado ainda por suposta emissão e negociação de títulos sem lastros ou garantias ao negociar, obter e investir recursos de sete fundos.

Entre as entidades estão Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobras), Funcef (Caixa) e Postalis (Correios), além do BNDESPar —braço de investimentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

As transações foram feitas a partir de 2009 com executivos indicados pelos dois partidos adversários da chapa Bolsonaro, os quais são investigados atualmente por desvio de recursos dos fundos.

Procurado, Guedes não respondeu à reportagem.

Para o MPF, há “relevantes indícios de que, entre fevereiro de 2009 e junho de 2013, diretores/gestores dos fundos de pensão e da sociedade por ações BNDESPar” se consorciaram “com o empresário Paulo Roberto Nunes Guedes, controlador do Grupo HSM”.

A intenção seria a de cometer “crimes de gestão fraudulenta ou temerária de instituições financeiras e emissão e negociação de títulos imobiliários sem lastros ou garantias”.

Na época, a Previ era gerida por Sérgio Rosa, e o Petros, por Wagner Pinheiro —militantes históricos do PT, ligados ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba e condenado pelo caso do tríplex.

Já o Postalis estava sob o comando de Alexej Predtechensky, cujos padrinhos políticos eram do MDB.

A apuração foi instaurada pela força-tarefa da Operação Greenfield, que mira esquemas de pagamento de propina em fundos de pensão, com base em relatórios da Previc (Superintendência Nacional de Previdência Complementar).

paulo-15391407205bbd6c70a49a9_1539140720_3x2_lg
Em 2016, agentes da Polícia Federal cumpriram mandado de busca e apreensão nos escritórios da Funcef – Pedro Ladeira – 05.set.2016/Folhapress

Conforme os documentos, obtidos pela Folha, a BR Educacional Gestora de Ativos, de Guedes, lançou em 2009 dois fundos de investimento que receberam, em seis anos, R$ 1 bilhão das entidades de previdência de estatais.

Um deles, o Fundo de Investimento em Participações (FIP) BR Educacional, obteve R$ 400 milhões entre 2009 e 2013 para projetos educacionais. A suspeita é que o negócio tenha sido aprovado sem análise adequada e gerado ganhos excessivos ao economista.

A gestora de ativos de Guedes recebeu na largada 1,75% sobre o valor total subscrito (o compromisso de investimento), e não sobre a cifra efetivamente aportada. Isso gerou, de imediato, despesas altas, de R$ 6,6 milhões, em seu favor.

No primeiro ano de aporte, o dinheiro aplicado pelos fundos de pensão (cerca de R$ 62 milhões) foi injetado em uma única empresa, a HSM Educacional S.A., que tinha Guedes como controlador.

“Tanto a gestora do FIP quanto a empresa investida possuem em comum a participação de um mesmo sócio, a saber, Paulo Guedes”, pontua relatório da Previc.

Na sequência, a HSM Educacional adquiriu de um grupo argentino 100% de participação em outra companhia, a HSM do Brasil, cujas ações não eram negociadas em Bolsa e, por isso, foram precificadas por um laudo.

Nessa operação, foram pagos R$ 16,5 milhões de ágio pelas ações, embora a empresa não estivesse em operação no país e fosse apenas uma marca.

“Cabe indagar o pagamento em montante considerável à empresa vendedora, com sede na Argentina”, diz a Previc.

O objetivo do empreendimento era obter lucros com projetos educacionais, entre eles a realização de eventos para estudantes e executivos, com palestrantes de grife.

As empresas, porém, passaram a registrar prejuízos repetitivos após a injeção dos recursos dos fundos de pensão.

No caso da HSM Brasil, um dos itens que mais impactaram os resultados foi a remuneração de palestrantes, segundo a Previc. Em 2011 e 2012, esses gastos somaram R$ 11,9 milhões.

Guedes rodava o país na época a palestrar em conferências promovidas pela HSM.

Os investigadores querem rastrear o dinheiro das palestras e saber quem o recebeu. As despesas com pessoal somaram outros R$ 23,1 milhões e estão na mira do MPF.

O fundo de investimentos manteve participação nas empresas até março de 2013, quando trocou as ações por fatia na Gaec Educação. Nessa operação, segundo a Previc, foi pago ágio de 1.118% pelas ações da Gaec.

O órgão conclui que “o resultado líquido do investimento do FIP foi negativo em R$ 16 milhões [no projeto da HSM]“.

Na portaria que instaura a investigação, a Procuradoria requer à Polícia Federal que abra inquérito sobre o caso. Pede ainda apurações na CGU (Controladoria-Geral da União), no TCU (Tribunal de Contas da União) e na CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

O MPF fixou prazo de dez dias para que os fundos de pensão apresentem cópias dos documentos que embasaram o investimento do FIP BR Educacional.

Além disso, o órgão determinou que eles apurem responsabilidades de gestores que deram causa aos aportes e a eventuais prejuízos.

Guedes não atendeu aos telefonemas da Folha nem respondeu a uma mensagem enviada pelo WhatsApp.

A reportagem entrou em contato com sua secretária e lhe enviou um email com questionamentos às 16h14. Até a noite de terça-feira (9), não havia recebido resposta.

Rosa disse que saiu da Previ em 2010 e não se recorda de detalhes de investimentos específicos.

Pinheiro, ex-Petros, e Alexej Predtechensky, ex-Postalis, não foram localizados.

 

 

Fábio Fabrini
Da Folha de São Paulo