PF faz operação para coibir fraudes em saques do PIS em SP

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Agentes cumpriram 13 mandados de busca e apreensão

A Polícia Federal fez na manhã de hoje (25) duas operações simultâneas para desarticular grupos que fraudavam saques do abono salarial do PIS (Programa de Integração Social), sem o conhecimento do titular do crédito. Agentes da PF cumpriram 13 mandados de busca e apreensão na capital, Embu das Artes e Taboão da Serra.

Os criminosos conseguiam informações dos beneficiários do abono salarial do PIS e, com o uso de documentos falsos faziam saques nas agências bancárias. Parte da busca e apreensão de hoje é desdobramento da Operação Golpes Master, ocorrida em agosto a partir da prisão de um dos integrantes do grupo em Guaratinguetá. O material apreendido apontou outros fraudadores e mais de 100 vítimas do grupo.

Outros cinco mandados de busca e apreensão surgiram após uma tentativa de saque fraudulento em Aparecida. As informações repassadas pela Caixa identificaram participantes do golpe, além de vítimas.

Os agentes encontraram, nas duas operações, quase 150 saques fraudulentos do abono do PIS. A investigação agora fará análise do material apreendido para verificar a ligação entre o grupo preso em agosto e os integrantes da operação desta manhã.

O PIS é um programa do governo federal voltado para o financiamento do pagamento do seguro-desemprego, abono salarial e participação na receita dos órgãos e entidades. O abono salarial é pago anualmente, no valor máximo de um salário mínimo, para pessoas cadastradas há mais de cinco anos e remuneração média no ano anterior até dois salários mínimos.

 
Da Agência Brasil São Paulo

A água no Brasil: da abundância à escassez

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Garantir o acesso à água de qualidade a todos os brasileiros é um dos principais desafios para os próximos gestores do país. Culturalmente tratado como um bem infinito, a água é um dos recursos naturais que mais tem dado sinais de que não subsistirá por muito tempo às intervenções humanas no meio ambiente e às mudanças do clima.

Em várias regiões do país, já são sentidos diferentes impactos, como escassez, desaparecimento de nascentes e rios, aumento da poluição da água. Os especialistas alertam que os problemas podem se agravar se não forem tomadas medidas urgentes e se a sociedade não mudar sua percepção e comportamento em relação aos recursos naturais.

O Brasil tem 12 regiões hidrográficas que passam por diferentes desafios para manter sua disponibilidade e qualidade hídrica. Mapeamento do Ministério do Meio Ambiente mostra que, nas bacias que abrangem a Região Norte, o impacto vem principalmente da expansão da geração de energia hidrelétrica. Na Região Centro-Oeste, é a expansão da fronteira agrícola que mais desafia a conservação dos recursos hídricos. As regiões Sul e Nordeste enfrentam déficit hídrico e a Região Sudeste apresenta também o problema da poluição hídrica.

Em nível global, o desafio é conter o aumento da temperatura do clima, fator que gera ondas de calor e extremos de seca que afetam a disponibilidade de água. O relatório especial do Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas, das Nações Unidas, divulgado recentemente, mostra que, se a temperatura global subir acima de 1,5°C, em todo o mundo mais de 350 milhões de pessoas ficarão expostas até 2050 a períodos severos de seca.

Brasil: o mito da abundância

“As gerações mais antigas foram criadas com o mito do país riquíssimo em água, que água seria um problema crônico, histórico, só no Nordeste, no semiárido. Obviamente, desde 2013, na primeira crise que a gente teve, o apagão, que na verdade foi um “secão”, porque não foi resultado só de uma questão elétrica, ficou claro que o Sudeste e o Centro-Oeste têm problemas concretos, intensificados nos últimos dois anos, de disponibilidade de água”, destacou Ricardo Novaes, especialista em Recursos Hídricos do WWF-Brasil.

O pesquisador explica que a crise resulta também da falta de adequada gestão do uso da água, sobretudo em períodos de estiagem – tendência que deve se manter tendo em vista o baixo índice de precipitação registrado no início desta primavera.

“Temos indicativos de que há um risco de, no próximo verão, ou talvez no outro ano, termos novamente um quadro muito complicado em São Paulo, talvez em todo o Sudeste. Os reservatórios estão com níveis abaixo do que estavam há dois anos, antes da crise de 2014 e 15”, afirmou.

Depois da grave crise hídrica de 2015 que afetou a população de São Paulo, os moradores do Distrito Federal (DF) também passaram pelo primeiro racionamento nos últimos 30 anos devido à falta de água nas principais bacias que abastecem a região. Por mais de um ano, os moradores da capital do país tiveram que se adaptar a um rodízio de dias sem água devido ao esgotamento dos reservatórios das principais bacias que abastecem a cidade.

Na área rural, o governo do DF decretou estado de emergência agrícola. Na época, foi estimado um prejuízo de R$ 116 milhões com a redução de 70% na produção de milho, segundo estudo da Secretaria do Meio Ambiente do DF.

Berço de águas escassas

Os especialistas apontam que uma das principais causas para a crise hídrica é o uso inadequado do solo. No Centro-Oeste, por exemplo, estão concentradas as nascentes de rios importantes do país, devido a sua localização no Planalto Central. Conhecida como berço das águas, a região tem vegetação de Cerrado, bioma que ocupa mais de 20% do território e atualmente é um dos principais pontos de expansão da agropecuária, atividade que usa cerca de 70% da água consumida no país.

Como consequência do avanço da fronteira agrícola, o Cerrado já tem praticamente metade de sua área totalmente devastada. Os efeitos da ausência da vegetação nativa para proteger o solo já são percebidos principalmente na diminuição da vazão dos rios e na escassez de água para abastecimento urbano.

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Os especialistas apontam que uma das principais causas para a crise hídrica é o uso inadequado do solo – Arquivo/Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Segundo a coordenadora do programa Cerrado e Caatinga do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Isabel Figueiredo, que integra a Rede Cerrado, o desmatamento acelerado está impactando tanto a frequência de chuvas, que vem diminuindo nos últimos cinco anos na região, quanto na capacidade do solo de absorver e armazenar a água no subsolo e devolvê-la para os rios.

“A mudança do uso da terra tem alterado demais o ciclo da água e faz com que a gente tenha menos água nos rios, os rios muito assoreados e menor disponibilidade de chuva. Então, o ciclo da água está num pequeno colapso”, afirmou Isabel.

Projeções do Painel Brasileiro de Mudança Climática (PBMC) apontam que nas próximas três décadas o bioma do Cerrado poderá ter aumento de 1°C na temperatura superficial com diminuição percentual entre 10% a 20% da chuva.

“A contribuição do Cerrado para as bacias hidrográficas importantes do Brasil, como São Francisco, Tocantins, por exemplo, vai diminuir muito, se esse processo de desmatamento continuar nesse nível”, completou.

A especialista lembra ainda que o desmatamento do Cerrado não afeta somente as comunidades locais, que já relatam dificuldades para plantar, mas também outras regiões. “Os biomas e ecossistemas brasileiros estão todos interligados. O desmatamento do Cerrado afeta a chuva que cai em São Paulo, o desmatamento na Amazônia afeta a chuva que cai aqui no Cerrado”, explica.

Outros desafios

O desafio de garantir o funcionamento do ciclo hidrológico natural também tem impacto na manutenção dos aquíferos subterrâneos. Os pesquisadores lamentam que o assunto não tenha destaque no debate público e na agenda eleitoral e alertam que, para evitar a próxima crise, é necessário criar um modelo de gestão das águas subterrâneas.

Outro problema que leva à escassez de água é a estrutura precária de saneamento. Considerando as metas estabelecidas pelos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Nações Unidas, do qual o Brasil é signatário, uma das principais preocupações com relação à água é garantir a universalização do saneamento.

Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), mais de 35 milhões de pessoas ainda não têm acesso à água tratada no Brasil e o sistema de abastecimento de água potável gera 37% de perdas, em média. A falta de tratamento do esgoto compromete mais de 110 mil quilômetros dos rios brasileiros que recebem os dejetos.

A agência estima que, para regularizar a situação, seriam necessários pelo menos R$ 150 bilhões de investimentos em coleta e tratamento de esgotos até 2035.

“Um objetivo absolutamente fundamental, mas que vai exigir um nível de investimento, comprometimento de agentes públicos e desenvolvimento de tecnologias – e não estamos vendo energia sendo colocada pra atingir isso. E não adianta você investir em saneamento e ter de buscar água cada vez mais longe, por causa do desmatamento”, criticou Novaes.

Um problema de percepção

Doutor em ecologia e autor de vários livros sobre educação ambiental, Genebaldo Freire destaca que todos estes problemas só serão resolvidos quando os governos e sociedade mudarem sua percepção sobre a importância dos recursos naturais para a sobrevivência humana.

“Nós estamos vivendo uma falha de percepção e temos algumas evidências objetivas que comprovam isso: nós dependemos de água pra tudo e qual é o nosso comportamento? Desperdício, consumismo, poluição e desmatamento, e isso tudo numa pressa danada, com uma população que cresce em 75 milhões de pessoas a cada ano no mundo”, constata.

Segundo o professor, não há lugar seguro no planeta e, além da falta de percepção, há uma absoluta falta de governança na gestão da água. O escritor também critica a indiferença e incapacidade da classe política em lidar com o tema da educação ambiental.

“A história dos problemas ambientais passa por essa falha de percepção por várias razões: conveniência, ignorância ou apatia. Todo o processo de educação ambiental hoje tem de estar obrigatoriamente centrado na ampliação da percepção, senão não vai mudar coisa alguma”, avalia Freire.

O professor ressalta que vários colapsos já estão ocorrendo devido à grande pressão da população mundial de sete bilhões de pessoas sobre os sistemas naturais, que estão assumindo “configurações diferentes das que nós estamos acostumados para neutralizar nossas ações”.

Para evitar o agravamento da situação, é necessária uma evolução do ponto de visto ético e moral e não somente científico e tecnológico. “A mudança do clima é a maior falha de mercado da espécie humana, porque é algo em que a inteligência estratégica de sobrevivência do ser humano não funcionou e continua errando de forma insistente. E qual a consequência disso? E você ter o crescimento de conflitos que já estão estabelecidos, como disputa por água, energia e espaço, aumento de refugiados”, comenta.

 

 

Da Agência Brasil Brasília

Benedetto sai do banco e dá vitória ao Boca contra o Palmeiras na Bombonera

O Boca Juniors está próximo da final da Copa Libertadores da América. Nesta quarta-feira, Palmeiras e os argentinos fizeram uma partida morna e ruim tecnicamente, mas com apenas 15 minutos finais para jogar, o centroavante Benedetto deixou o banco de reservas e marcou duas vezes para os xeneizes contra o Verdão, decretando a vitória na Bombonera.

O jogo de volta da semifinal é na próxima quarta-feira, dia 31, às 21h45 (de Brasília). O Palmeiras terá de vencer por três gols de diferença para se classificar (um 2 a 0 a favor leva a decisão para os pênaltis). Empate ou vitória alviverde por um gol classificam o Boca Juniors – para enfrentar Grêmio ou River Plate na finalíssima (o Grêmio venceu o jogo de ida, em Buenos Aires, por 1 a 0).

O primeiro tempo teve o nervosismo que se espera de uma partida semifinal de Copa Libertadores da América. Nada além disso. Palmeiras e Boca Juniors não jogaram o futebol que são capazes e os primeiros 45 minutos foram marcados por uma única chance real de gol, motivada por falha de Weverton.

Com 15 jogados, os argentinos levantaram bola na área, o goleiro palestrino tentou tirar de soco, mas não achou nada pelo alto. Isquierdoz cabeceou no canto e bola passou perto da meta alviverde.

Empurrado pela Bombonera lotada, o Boca tentou pressionar a equipe brasileira, mas se limitou a bolas levantadas na área e chutes de longa distância, sem perigo. A inédita dupla de zaga escalada por Felipão na Libertadores, formada por Luan e Gustavo Gómez, não brincou lá atrás e rebateu todas de primeira.

Antes do intervalo, o Verdão conseguiu equilibrar o jogo e teve 52% de posse de bola, mas também sem criar. Na etapa final, o Maior Campeão do Brasil finalizou duas bolas de longe, logo nos primeiros minutos, o que poderia indicar uma mudança de postura, mas os visitantes mantiveram o ritmo do duelo.

A melhor oportunidade do jogo até então, e lance mais bonito plasticamente aconteceu apenas aos 36 minutos do segundo tempo. Olaza cobrou falta na entrada da área com a canhota, a bola foi no ângulo, mas Weverton voou para fazer uma defesa espetacular.

Para impedir o gol, Weverton se chocou com a trave e ficou dois minutos caído recebendo atendimento médico. Quando o árbitro autorizou novamente, aos 38, Benedetto, que estava em campo há sete minutos, antecipou Moisés e cabeceou livre para as redes.

pal-000_1AA4M6-1024x647Palmeirenses deixaram Benedetto sozinho para marcar (Foto: Juan Mabromata/AFP)

Mesmo com a desvantagem no placar, Felipão sacou Bruno Henrique e colocou Thiago Santos em campo. Aos 42, porém, Benedetto de novo, deixou o Boca Juniors muito perto da final da Copa Libertadores. O centroavante recebeu na entrada da área, deu drible desconcertante em Luan, de futebol de salão, e bateu muito forte no canto de Weverton.

FICHA TÉCNICA
BOCA JUNIORS 2 X 0 PALMEIRAS

Data: 24 de outubro de 2018, quarta-feira
Local: Estádio La Bombonera, em Buenos Aires-ARG
Horário: 21h45 (de Brasília)
Árbitro: Roberto Tobar
Assistentes: Christian Schiemann e Claudio Rios

Cartões amarelos: Olaza, Villa e Zárate (BOCA JUNIORS); Gustavo Gómez e Bruno Henrique (PALMEIRAS)

GOLS
BOCA JUNIORS: Benedetto, aos 38 e 42 minutos do segundo tempo

BOCA JUNIORS: Rossi; Jara, Izquierdoz, Magallan e Olaza; Barrios, Nandez e Perez; Pavon (Buffarini), Zarate (Villa) e Ábila (Benedetto)
Técnico: Guillermo Schelotto

PALMEIRAS: Weverton; Mayke, Luan, Gustavo Gómez e Diogo Barbosa; Felipe Melo, Bruno Henrique (Thiago Santos) e Moisés (Lucas Lima); Dudu, Willian e Borja (Deyverson)
Técnico: Felipão

 

 

Da Gazeta Esportiva SP