Ex-ministro de Lula e Dilma é preso em Brasília

Além de Paulo Bernardo, PF deteve secretário de Haddad e advogado que atuou em campanhas de Gleisi

O ex-ministro dos governos de Lula e Dilma, Paulo Bernardo, foi preso em Brasília durante a Operação Alto Custo, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (23).

Bernardo foi capturado no apartamento da esposa, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), após ser expedido um mandado de prisão temporária. Ele será encaminhado à sede da PF em São Paulo. A residência do casal em Curitiba, no Parana, também é alvo de buscas.

O jornalista Leonardo Attuch, dono do site “Brasil 247″, e o ex-ministro da Previdência e da Secretaria da Aviação Civil Carlos Gabas, amigo de Dilma, foram convidados a depor voluntariamente.

Também foi detido o secretário municipal de Gestão de São Paulo, Valter Correia, que também já trabalhou no ministério do Planejamento.

O advogado Guilherme Gonçalves, que participou das campanhas de Gleisi Hoffmann (PT-PR), também teve prisão preventiva decretada. Ele está em Portugal e deve se apresentar à PF quando voltar ao Brasil.

A sede nacional do PT (Partido dos Trabalhadores), situada no centro da capital paulista, também é alvo de buscas. Todo o material apreendido será encaminhado à PF de São Paulo.

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Paulo Bernardo é x-ministro do Planejamento do governo Lula e das Comunicações no primeiro governo Dilma / Marcelo Camargo/ Agência Brasil

ALTO CUSTO / Em ação conjunta com o Ministério Público Federal e a Receita, a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Custo Brasil com o objetivo de apurar o pagamento de propina, proveniente de contratos de prestação de serviços de informática, no valor de R$ 100 milhões, a pessoas ligadas a funcionários públicos e agentes públicos no Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão entre os anos de 2010 e 2015.

Os policiais federais estão cumprindo 11 mandados de prisão preventiva, 40 de busca e apreensão e 14 de condução coercitiva nos estados de São Paulo, do Paraná, Rio Grande do Sul, de Pernambuco e no Distrito Federal, todos expedidos pela 6ª Vara Criminal Federal em São Paulo.

De acordo com nota divulgada pela PF, há “indícios de que o ministério direcionou a contratação de uma empresa de prestação de serviços de tecnologia e informática para a gestão do crédito consignado na folha de pagamento de funcionários públicos federais com bancos privados”, interessados na concessão desse tipo de crédito.

O inquérito foi aberto em dezembro de 2015, após a decisão do Supremo Tribunal Federal de que a documentação recolhida na 18ª fase da Operação Lava Jato, conhecida como Pixuleco 2, fosse encaminhada para investigação em São Paulo.

De acordo com as investigações, 70% dos valores recebidos por essa empresa eram repassados a pessoas ligadas a funcionários públicos ou agentes públicos com influência no Ministério do Planejamento por meio de outros contratos – fictícios ou simulados.

Os investigados responderão, de acordo com suas ações, pelos crimes de tráfico de influência, corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa, com penas de 2 a 12 anos de prisão.

As pessoas conduzidas coercitivamente são ouvidas nas instalações da PF mais próximas dos locais em que forem encontradas.

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A PF cumpre mandados de busca e apreensão como parte da Operação Custo Brasil na sede do PT, na capital paulista / Rovena Rosa/Agência Brasil

PROTESTO / Um grupo de membros do diretório municipal do Partido dos Trabalhadores e integrantes de movimentos sociais fazem um protesto em frente à sede do PT, na capital paulista, onde a Polícia Federal cumpre mandado de busca e apreensão há cinco horas.

Os manifestantes estenderam uma faixa com a foto do presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e os dizeres “Tchau, ladrão. E o Temer?”. O secretário de comunicação do Diretório Municipal, João Bravin, disse estar indignado. Segundo ele, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, estava hoje em Brasília e deve viajar para São Paulo.

“Mais uma vez, é uma ação seletiva da Polícia Federal, contra um partido político que não se negou em participar ou colaborar com investigações”, disse. “A cada semana temos um ministro desse partido golpista saindo do governo e ninguém vai na casa desses ex-ministros que têm [nome citado em] delação, nem coercitivamente. Isso é um absurdo, uma perseguição seletiva”, disse.

 

Da Agência Brasil