Perdizes vira praça de guerra com mega-assalto

Bando fortemente armado invadiu Lojas Pernambucanas e trocou tiros com a polícia

O bairro de Perdizes, na Zona Oeste, viveu, no sábado (30), seu dia de guerra com mais de 50 tiros trocados entre assaltantes que invadiram uma loja e a polícia, que foi chamada para intervir.

Eram exatamente 9h25 quando seis homens, fortemente armados, invadiram a unidade das Lojas Pernambucanas da Rua Cardoso de Almeida e anunciaram um assalto. Eles pegaram uma mala com 37 aparelhos de telefone celular, mais R$ 1 mil em dinheiro e levaram quatro funcionárias.

Outras duas, entretanto, conseguiram se esconder durante o assalto e chamaram a polícia.

Quando os assaltantes saíram, foram surpreendidos por uma viatura que entrava na rua e começou a troca de tiros. Neste momento, cinco dos seis assaltantes conseguiram fugir a pé e um deles, armado com um fuzil 12 milímetros, continuou a troca de tiros com os policiais.

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Carro que estava em frente à lanchonete foi alvejado / Almeida Rocha/DiárioSP

O assaltante que não conseguiu fugir, primeiro tentou roubar um carro de um estacionamento vizinho. Quando não conseguiu, saiu pela rua atirando e entrou numa lanchonete no mesmo lado da rua, fazendo cinco pessoas como reféns.

Os policiais chamaram reforço, unidades da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) e do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) chegaram e começaram uma negociação com o assaltante.

O homem, identificado como Thiago Roberto Guedes de Oliveira, 29 anos e várias passagens pela polícia, disse que só se entregaria com a presença da imprensa e com um colete à prova de bala. Apenas a primeira exigência foi atendida.

Mesmo assim, após três horas de negociação, o assaltante soltou os reféns e se entregou.

Primeiramente, ele libertou dois homens. Depois de se entregar à polícia, três mulheres puderam sair da lanchonete. Ninguém ficou ferido. As vítimas e o ladrão foram encaminhados ao 91º Distrito Policial, na Vila Leopoldina, Zona Oeste. As outras lojas da rua foram fechadas por medo dos tiros. A rua ficou completamente interditada até as 16h.

Depoimento

Bárbara Souza, jornalista do Diário

Sub-metralhadora na calçada

Perdi a hora do compromisso que seria às 8 horas de, mas consegui remarcar para as 9h30. Por volta das 9h25, ia pela Rua Cardoso de Almeida, quando vi um grupo de quatro ou cinco mulheres com camisetas azuis, duas delas carregando uma sacola, que parecia bem pesada, e um homem à frente. Eles vinham em minha direção e, em frente à lanchonete Bom Gusto, pararam de repente. O homem se virou para trás e trombou com as mulheres. Achei a cena estranha e esperava que eles se decidissem para onde iriam para eu poder escolher um lado da calçada. Foi aí que vi o homem segurando uma arma com a mão esquerda. Era um belo sábado de sol, com tudo normal: as calçadas cheias de pedestres, as lojas abrindo as portas. Ao passar por eles, olhei para o homem sem entender por que ele estava armado. Então o ouvi perguntar a uma das mulheres de camiseta azul se o dinheiro do cofre estava na sacola. Consegui vê-lo tentar entrar num carro. Já era tarde quando percebi que se tratava de um assalto, que aquela arma era uma sub-metralhadora e que aquelas mulheres eram reféns. Quando ouvi o primeiro tiro, corri para dentro de uma loja. Primeiro tentei me esconder atrás de algumas roupas, mas aí ouvi uma sequência de disparos que me fizeram desconfiar de que aquilo não ia segurar as balas. Só depois que me tranquei no banheiro da loja, completamente vazia, é que me dei conta de que as camisetas azuis das mulheres que vi na rua eram o uniforme das vendedoras das Pernambucanas e que o assalto tinha sido ali. Na sequência de pipocos que ecoavam da porta da loja é que a ficha caiu: e se houvesse mais algum assaltante lá dentro? Dois ou três minutos e uns 30 tiros depois, um breve silêncio e o grito do policial “sai todo mundo da loja, com a mão na cabeça”. Ao vê-lo, queria dizer “obrigada”, mas só pude perguntar: “Está seguro aí fora”. E ele disse: “Não”. Quando saí, ouvi mais disparos e uma multidão tentando ir até a rua para registrar a cena com seus celulares.

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Lanchonete que foi atingida por tiros / Almeida Rocha/DiárioSP

Entrevista

Antonio Augusto Bonfim_Dono da lanchonete

‘Ele disse que sabia que tinha perdido’

Dono da Lanchonete Bom Gusto, onde o assaltante fez reféns, Antonio Augusto Bonfim contou detalhes do pânico.

DIÁRIO_ Onde você estava quando tudo aconteceu?

ANTONIO AUGUSTO BONFIM_ Estava na porta da lanchonete. Quando ouvi os tiros entrei para o fundo e o assaltante entrou atrás.

O que ele dizia?

Ele disse que sabia que tinha perdido, mas queria salvar sua vida. Mandou chamar a reportagem. Disse para nós ficarmos tranquilos que não ia acontecer nada.

Como você saiu?

O assaltante pediu para eu baixar a porta da lanchonete e neste momento eu fugi. Eu arrisquei. Podia ter me dado mal.

Entrevista

Wilson Araújo, 39 anos_Cabo da PM

‘Pedi para largar a arma e se render’

O cabo Araújo fazia patrulhamento de rotina no bairro quando recebeu o chamado de roubo. Ao chegar à Cardoso de Almeida, a viatura dele foi atingida por três tiros de calibre 12 e um de 9 mm.

DSP_ Quantos atiraram?

Cabo Araújo_ Dois. Um que estava em frente à loja com uma pistola e outro que estava com uma 12. Estávamos monitorando porque sabíamos que a loja já tinha sido assaltada antes.

O senhor disse algo a eles?

Quando virei a esquina ele já me viu. Desci do carro e disse para ele largar a arma e se render. Aí começaram os tiros.

É policial há quanto tempo?

Há 16 anos e já vivi outras situações como essa, quando trabalhava em Diadema. Apesar dos riscos, amo o que faço.


Por: Diário SP
Fernando Granato