Acidente entre caminhão e van escolar deixa feridos na Grande SP

Choque ocorreu em Carapicuíba; 16 viaturas dos bombeiros foram ao local

Uma batida entre um caminhão e uma van escolar deixou ao menos 15 pessoas feridas no final da manhã desta sexta-feira (13), em Carapicuíba (Grande São Paulo). Doze vítimas foram atendidas pelo Corpo de Bombeiros e outras três socorridas por moradores da região que passavam pelo local. A maior parte dos atingidos ficou presa às ferragens.

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Van, que foi atingida por caminhão, em Carapicuíba; ao menos nove crianças dos 17 ocupantes do veículo ficaram feridas no acidente Adriano Vizoni/Folhapress

Segundo o major da PM Sérgio Cardim, 17 pessoas estavam na van, entre elas 15 crianças, o motorista e um ajudante. O veículo levava elas para a escola, a Fieb (Fundação Instituto de Educação de Barueri), em Alphaville. Nove ficaram feridas.

Um menino de 13 anos teve politraumatismo e foi levado de helicóptero para o Hospital das Clínicas. No final da tarde, a unidade informou que ele estava internado em estado grave, mas não deu mais detalhes.

Outra vítima teve parada cardiorrespiratória, passou por massagem cardíaca no local e foi levada para o hospital geral de Carapicuíba, que recebeu oito vítimas. Uma delas, que precisava de atendimento especializado neurológico, foi transferida para o hospital regional de Osasco.

Responsável pelos dois hospitais, a Secretaria Estadual de Saúde, do governador Márcio França (PSB), candidato à reeleição, afirmou que não vai informar o estado das vítimas atendidas nas unidades.

De acordo com a atualização mais recente dos bombeiros, por volta das 16h, cinco crianças tiveram traumatismo ou alguma contusão no crânio, além de outras fraturas. Ao todo, 16 equipes da corporação participaram da operação de socorro.

A técnica de radiologia, Edna Leal, 41, foi avisada do acidente com a sua filha, Ana Clara, 13. A menina teve uma fratura na tíbia e na fíbula, passou por operação e está na UTI.

“Ela está bem agora, está estável”, diz a mãe. Ao chegar no local, Edna conta que “pensou no pior”. “Vi muito sangue, e a minha filha estava na prancha, mas graças a Deus com ela foi um mal menor.” Ela reclama das condições de segurança da região do acidente. “Aquele percurso tem muito declive e não tem sinalização, é muito perigoso”.

Testemunhas relataram que o caminhão desceu uma via íngreme com problemas no freio e, em seguida, chocou-se com a van escolar, que rodou no próprio eixo. O caminhão atingiu ainda o muro de uma casa e destruiu um poste. De acordo a Prefeitura de Carapicuíba, a van era particular, estava regularizada e havia passado por vistoria há 15 dias. O motorista e seu ajudante também ficaram feridos.

Poucos segundos antes do acidente, Clara, 11, aguardava a van para ir à escola. “O tio buzinou, deu ré e abriu a porta para eu entrar.” Da porta do prédio, ela viu o caminhão atingir a van e foi puxada para dentro por uma vizinha.

“Ela viu tudo, ficou em estado de choque, bem nervosa. Estamos evitando de falar com ela sobre o que aconteceu”, diz a mãe, a gerente de loja Juliana Teodoro, 35. A vizinha telefonou para Juliana e a avisou do acidente. A mãe, preocupada, perguntava por notícias dos colegas de Clara. “São amiguinhos da van dela”.

TESTEMUNHA
O carro do eletricista José de Carlos de Vasconcelos, 56, foi atingido pelo caminhão antes do choque com a van. Ele descia a rua e, ao virar para a esquerda, na base da ladeira, sentiu o caminhão bateu na traseira do seu carro. “Acho que amorteceu um pouco, antes de atingir a van”, diz ele, que mora no bairro. José não ficou ferido e conseguiu parar o carro para tentar ajudar no socorro.

Segundo ele, o motorista teria dito que estava sem freio. “Ele disse que gritou, mas ninguém escutou. Um mês atrás um caminhão bateu em uma casa ali perto”, conta José. Ele afirma que os bombeiros demoraram cerca de vinte minutos para chegar. “Tinha criança para fora, ensanguentada. Algumas estavam desmaiadas, outras gritavam e choravam”.

O delegado Pedro Buk, do 1º DP de Carapicuíba, onde o caso será investigado, disse que os veículos foram apreendidos e a perícia técnica e mecânica, para averiguar qualquer problema no freio do caminhão, será realizada na segunda-feira (16).

“Ou o motorista perdeu o freio ou estava dirigindo com excesso de velocidade, mas até agora trabalhamos com lesão corporal culposa [sem intenção]”. O motorista pode ser acusado de negligência ou imprudência ao volante.

A proprietária do caminhão, Andressa, 25, que não quis informar o sobrenome, disse que o veículo passou por manutenção há 15 dias e não tinha problemas técnicos. “Presto serviço para uma empresa de transporte, eu que contratei o motorista.”

CASA ATINGIDA
Além de atingir a van, o caminhão também bateu contra o muro de uma casa, destruindo o portão, parte do teto e uma viga. O dono do imóvel, o eletricista Eduardo Soares, 45, estava chegando ao local quando houve o acidente.

Seu filho, Daniel, 14, estava em casa e chamou os bombeiros. “Eu estava almoçando para ir para a escola, quando ouvi o barulho. Saí pela casa da vizinha porque fiquei com medo de a minha desabar”, conta ele. O menino disse que ficou assustado e chamou os bombeiros.

Seu vizinho, o vigilante Vagner, de 41 anos, ajudou a resgatar as crianças da van. Ele não quis dar o seu sobrenome. “Tentamos acalmar as crianças, que estavam desesperadas, e colocamos deitadinhas no chão”, afirma.

 

 Marina Estarque
Dhiego Maia
Da Folha de São Paulo