Saúde: financiamento, gestão e formação profissional devem ser prioridade

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Financiamento adequado do Sistema Único de Saúde (SUS), a qualificação dos profissionais de acordo com as necessidades da população e uma gestão mais ágil estão entre as prioridades do país no setorMarcello Casal Jr./Arquivo Agência Brasil

A qualidade dos serviços públicos em saúde foi colocada em xeque pelos brasileiros durante as manifestações de junho de 2013. Às vésperas da Copa das Confederações, evento realizado pela Federação Internacional de Futebol (Fifa), os brasileiros foram às ruas exibir cartazes pedindo “hospitais padrão Fifa” e mais recursos para o setor. As reivindicações em relação à saúde foram uma das principais bandeiras dos protestos populares que se estenderam até meados deste ano.

Para especialistas ouvidos pela Agência Brasil, apesar das grandes conquistas do sistema universal de saúde consagrado na Constituição Federal de 1988, ainda há gargalos a serem resolvidos, entre eles, o financiamento adequado do Sistema Único de Saúde (SUS), a qualificação dos profissionais de acordo com as necessidades da população e uma gestão mais ágil.

Na avaliação dos especialistas, apesar do consenso de que os recursos necessários para o financiamento da saúde pública não serão alcançados em um mandato de 4 anos, a questão precisa ser enfrentada imediatamente.

Para o presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Antônio Carlos Nardi, o projeto de lei de iniciativa popular, com 1,9 milhão de assinaturas, que destina 10% da receita corrente bruta da União ao SUS precisa ser aprovado pelo Congresso. O projeto, protocolado em agosto do ano passado, está na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados desde o dia 3 de junho.

“O Movimento Saúde+10 teve uma grande mobilização nacional e o projeto de lei está parado no Congresso, não foi para frente. Hoje, já temos a obrigatoriedade do repasse das receitas municipais para a saúde no percentual de 15% e das receitas estaduais, de 12%. Para a União, ainda não temos a garantia de um percentual fixo. Esses 10% acrescentariam R$ 40 bilhões para a saúde em 2014. O grande desafio é garantir financiamento estável e solidário entre as três esferas de governo para manter as condições mínimas do SUS de atendimento universal, gratuito e integral.”

De acordo com o Ministério da Saúde, os recursos destinados à rede pública devem chegar a R$ 91,6 bilhões este ano.

A advogada e doutora em saúde pública pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Lenir Santos, reforça que o financiamento atual é insuficiente. “Qualquer país com acesso universal à saúde vai aplicar um mínimo de 7% do PIB [Produto Interno Bruto]. Nós aplicamos menos de 4%. Por aí a gente vê que faltam recursos para se ter um sistema em quantidade e qualidade suficientes.”

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as despesas do governo com saúde em 2007 e 2008 foram de 3,5% do PIB. Em 2009, esse percentual chegou a 3,8%.

Outro problema apontado pelos especialistas ouvidos pela Agência Brasil diz respeito à formação dos profissionais que, cada vez mais, tem se distanciado das características do SUS e das necessidades de saúde da população. Coordenador da Rede de Direito Sanitário: Saúde e Cidadania, o médico Neilton Araújo de Oliveira avalia que as universidades têm formado profissionais que atendem mais às necessidades da “indústria dos planos de saúde” do que a atenção integral voltada para a população.

“Nos últimos anos, houve avanço na atenção primária e na saúde da família. Setenta por cento dos problemas de uma comunidade se resolvem na atenção primária, sem grandes sofisticações tecnológicas, sem grandes especialistas. Hoje, dos médicos formados, 70%, 80% são especialistas, quando a gente precisa de pelo menos 60%, 70% de clínicos gerais.”

O presidente do Conasems acredita que as deficiências da falta de profissionais e da formação médica começaram a ser supridas por meio da mudança curricular e do aumento da oferta de vagas em cursos de medicina. Segundo estimativa do governo federal, o Brasil tem um déficit de 50 mil médicos.

“Nossas universidades não estavam formando médicos para atender no SUS. Com a mudança curricular, nós já estamos hoje nos aproximando das necessidades do sistema, para fortalecer a atenção básica como a porta de entrada”, disse Nardi.

Para ele, é preciso investir na atenção básica por meio da consolidação do Programa Saúde da Família e de programas de prevenção com a promoção da atividade física, da alimentação saudável e do combate ao tabagismo para diminuir a migração dos pacientes para unidades de média e alta complexidade.

Para o primeiro secretário do Conselho Federal de Medicina (CFM), Carlos Callegari, além do financiamento, outro gargalo é a falta de profissionalização e de qualificação dos gestores na área. “Precisamos preparar melhor o gestor na saúde, para que, com o dinheiro que tem, faça o máximo que puder.” Ele aponta ainda a necessidade de conclusão de obras de unidades básicas de saúde e prontos-socorros.

Lenir Santos defende uma urgente reforma administrativa. “Há muitas amarras administrativas, que encarecem o serviço público. A nossa administração pública não se modernizou ao longo desses anos para quase todas as questões e fundamentalmente para a saúde. E o SUS é extremamente complexo do ponto de vista organizativo porque pressupõe interdependência dos entes federativos.”

Apesar dos problemas, a política de construção do SUS é considerada vitoriosa, segundo os entrevistados. “Há muitos êxitos: a diminuição da mortalidade materno-infantil, da desnutrição, o aumento da cobertura das vacinações”, disse o presidente do Conasems. “Todo o debate que fazemos é para defender, apoiar e ampliar o SUS, não para combatê-lo O SUS é um sistema que tem salvado milhões de vidas no Brasil”, destaca Neilton Araújo de Oliveira, um dos coordenadores da Rede de Direito Sanitário.

Da Agência Brasil

Tempo seco e quente recorde aumenta número de atendimentos hospitalares em SP

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Paulistas sofrem com seca no estadoMarcelo Camargo/Agência Brasil

O tempo seco e quente recorde na capital paulista, nesta semana, tem aumentado o número de atendimentos hospitalares em razão de problemas respiratórios. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, a demanda aumenta em média 30% em períodos de maior secura, que ocorrem especialmente nos meses de outono e inverno. Ontem (11), a capital registrou máxima de 32,9 graus Celsius (ºC) – recorde para o inverno este ano. A umidade relativa do ar, no município, ficou em 19% na quarta-feira (10), o menor percentual em 2014.

O pneumologista Fábio Muchão, do Ambulatório Médico de Especialidades (AME), do bairro de Heliópolis, explica que os problemas respiratórios ocorrem pela irritação dos brônquios e vias aéreas com a entrada do ar seco. “Qualquer pessoa sente os efeitos. Quem não tem nenhum problema de saúde, vai sentir irritação na garganta, no nariz, pode tossir um pouco mais, a boca seca”, enumerou. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece que o percentual ideal de umidade para o bem-estar dos seres humanos é acima de 60%.

As pessoas mais afetadas são as que têm doenças crônicas. “Essa pessoa passa a ter crises. Por exemplo, o asmático tem mais crises, se o ar está mais seco”, exemplificou. Dois segmentos são ainda mais vulneráveis quando há ocorrência de doença crônica: crianças e idosos. “Tanto as crianças menores de 2 anos, como as pessoas de mais idade, têm imunidade um pouco mais delicada do que pessoas de outras faixas etárias”, explicou.

Entre os cuidados necessários para evitar problemas de saúde pelo ar seco, Muchão indica a ingestão de água. “Isso para quem não tem restrição, como alguns problemas cardíacos ou renais”, ressalvou. Em relação aos ambientes, ele sugere que se mantenham recipientes com água em ambientes fechados e também o uso de umificadores.

“Mas os aparelhos devem ser usados por tempo limitado”, ressaltou o médico. Ele explica que duas ou três horas são suficientes, pois, se eles são usados por muitas horas, podem favorecer a proliferação de mofo, o que também é prejudicial.

Outra medida que pode ajudar na prevenção é a lavagem do nariz com soro fisiológico. Para crianças e idosos, as inalações somente com soro podem ser feitas todos os dias. Além disso, nos casos em que as pessoas já são acompanhadas por médicos, é importa procurá-lo para avaliar a necessidade de alguma alteração no tratamento nesse período. Também devem ser evitadas atividades físicas no horário entre as 10h e as 17h.

Hoje (12), o tempo deve permancer seco na capital paulista. A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) é que a umidade do ar fique em torno dos 30%, e as temperaturas variem entre 16,8ºC e 28ºC.

Da Agência Brasil

UPA 24 horas de Cotia realiza cerca de 33 mil atendimentos em dois meses de funcionamento

Da Redação

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No período ainda foram realizados aproximadamente 7,7 mil exames laboratoriais e 6 mil radiografias na própria Unidade de Saúde

Inaugurada em 27 de junho passado, a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Rita de Cássia Sorio, no Bairro Atalaia, realizou cerca de 33 mil atendimentos nos dois primeiros meses de funcionamento em Cotia. A quantidade de procedimentos representa uma média de 550 atendimentos por dia ou 22 pessoas atendidas por hora de funcionamento da unidade, que fica aberta 24 horas por dia.

A unidade de Saúde, administrada em parceria pela Prefeitura de Cotia e Instituto Acqua, começou a funcionar efetivamente em 28 de junho e até a noite desta terça-feira (26/9) haviam sido realizados exatos 32.795 procedimentos, sendo 20.773 consultas por clínicos gerais/emergencistas, 3.005 com ortopedistas e 7.971 por pediatras. No período, a Unidade de Saúde ainda realizou 7,7 mil exames laboratoriais e 6 mil radiografias por meio de raio-x.

Para se ter uma ideia do que representam 33 mil atendimentos em dois meses, esse número representa cerca de 16,4% de toda a população de Cotia, estimada em 201 mil habitantes. E além dos moradores de Cotia, neste período, a UPA também foi procurada por pacientes de cidades vizinhas como Embu, Osasco, Vargem Grande, Itapevi, Carapicuiba, São Roque, Ibiuna e Jandira.

A alta quantidade de procedimentos realizados na UPA – que é considerada de porte 2 pelo Ministério da Saúde pois é preparada para atender uma população de 200 mil habitantes –, é superior à capacidade de uma unidade para cidades com até 300 mil habitantes, considerada de porte 3. Além dos procedimentos realizados, essa demanda gerou um consumo de cerca de 84.500 comprimidos de anti-inflamatórios, 3 mil AAS infantil (anti-inflamatório e analgésico), 25 mil comprimidos para o controle da pressão arterial e 10 mil antitérmicos em comprimidos e 5,5 mil injetáveis, entre outros medicamentos aplicados dentro da farmácia da unidade.

Com mais de 1,4 mil metros quadrados, a UPA Atalaia exige um uma equipe com cerca de 160 colaboradores, entre médicos, enfermeiros e demais profissionais que se revezam para garantir o atendimento 24 horas por dia. A unidade conta com algumas ações novas para o sistema de Saúde de Cotia, como a classificação dos pacientes por risco feita por enfermeiros em uma sala de triagem, o que significa que as pessoas que chegam com problemas de saúde mais graves são encaminhados direto para atendimento médico.

Por plantão, ficam à disposição da população clínicos gerais/emergencistas, pediatras e ortopedistas, que têm apoio de espaços adequados para a realização de exames laboratoriais, radiografias, sala de gesso, além das salas amarela e vermelha, para onde são encaminhados os pacientes com maior gravidade.

O diretor presidente do Instituto Acqua, Ronaldo Querodia, disse que a alta procura por atendimento na UPA mostra o tamanho da responsabilidade da instituição. “A UPA é um equipamento de Saúde de grande porte, em que a dedicação dos trabalhadores deve ser intensa. Para isso, realizamos constantemente capacitações e orientações para que estes profissionais estejam sempre bem preparados para atender a essa demanda.”

Avaliação – “Diante de uma rotina que ultrapassa o número de 550 atendimentos por dia, sabemos que ainda precisamos melhorar, mas há uma parcela muito grande da população satisfeita com o atendimento realizado. Ainda é muito recente a implantação do sistema de classificação de risco, ou seja, protocolo do Ministério da Saúde que indica a urgência dos atendimentos que prioriza o atendimento de acordo com a complexidade da saúde dos pacientes. Compreendemos que enquanto não houver uma familiarização com este sistema, pode haver distorções na forma de avaliar o atendimento. A cor vermelha significa alta prioridade, amarela- urgente; a cor verde – pouco urgente e a cor azul – não urgente”, avaliou o secretário de Saúde de Cotia, Benedito Simões.

A moradora do Parque Alexandre, Lusinete Barbosa, procurou a UPA na última terça-feira (26/08) e avaliou o atendimento. “Vou dar nota 9. Recomendo que as pessoas que precisam do atendimento venham com paciência porque são muitas pessoas aguardando e os casos mais graves têm prioridade. No meu caso, fui atendida às 13 horas, fiz alguns exames, aguardei o resultado e recebi todos os cuidados”, disse Lusinete.

 

Planos pagam ressarcimento recorde 2014 por internação de beneficiários no SUS

O ressarcimento que operadoras de plano de saúde pagaram à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) porque seus clientes recorreram a internações no Sistema Único de Saúde (SUS) bateu recorde de janeiro a julho deste ano superou o montante somado em todo o ano de 2013, que já era maior que o dos anos de 2011 e 2012 juntos. Foram R$ 184,03 milhões por quase 200 mil internações de pessoas com plano de saúde na rede pública, contra 183,26 milhões por 221 mil internações cobradas no ano passado.

Os números, no entanto, não se referem às internações feitas no ano de 2014, e sim ao que foi pago neste ano por procedimentos de anos anteriores. A ANS vem atualizando os cruzamentos de dados que permitem a cobrança, e, só neste ano, conseguiu incluir ressarcimentos de internações realizadas no ano imediatamente anterior.

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Antes, os recursos não voltavam porque não se conseguia organizar ressarcimento de forma rápida, diz o ministro da Saúde Elza Fiúza/Agência Brasil

Segundo o ministro da Saúde, Arthur Chioro, essas mudanças são a razão do aumento na arrecadação, que neste ano deve superar os custos com a agência, hoje em torno de R$ 255 milhões. “Temos um estoque de internações de anos anteriores em que agora se conseguiu obter êxito no ressarcimento, o que significa que melhorou muito a gestão da ANS no cumprimento do seu papel”, disse Chioro.

Ele explicou que, antes, esses recursos não voltavam porque não se conseguia organizar o ressarcimento de maneira adequada, ágil e eficiente, e isso acabava acarretando prejuízo. “Até porque os beneficiários dos planos pagaram às operadoras por esses serviços.”

O dinheiro arrecadado é depositado no Fundo Nacional de Saúde, que compõe o orçamento do ministério. Segundo o governo, com o montante é possível comprar 600 ambulâncias com unidades de terapia intensiva para o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu), construir 60 unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) ou 350 unidades básicas de Saúde. Chioro disse que, ao integrar o fundo, o recurso será usado em políticas prioritárias, como a atenção básica, investimento em melhorias no sistema de saúde e financiamento de santas casas.

Entre 2000 e 2010, a ANS conseguiu arrecadar das operadoras cerca de R$ 123,5 milhões para ressarcir 350 mil internações de beneficiários no SUS. De 2010 para 2011, a arrecadação subiu de R$ 15,5 milhões para R$ 83,07 milhões, com medidas como a contratação de 89 funcionários temporários e 77 terceirizados, aumentando em 10% a mão de obra da ANS.

A previsão do governo é que os ressarcimentos pagos neste ano passem de R$ 350 milhões. As operadoras que não devolvem o valor das internações ao SUS são incluídas na lista de dívida ativa e passam a integrar o cadastro de inadimplentes, perdendo o acesso a financiamentos com recursos públicos. Encontram-se nessa situação 462 operadoras, e o valor atualizado da dívida soma R$ 579,24 milhões.

Entre os próximos passos da ANS estão a cobrança de ressarcimento pelos procedimentos de alta complexidade realizados no SUS por beneficiários de plano de saúde, como exames de tomografia e ressonância magnética. Segundo a nova diretora de desenvolvimento setorial da agência, Martha Regina de Oliveira, a cobrança deve começar a ser feita em breve. As dificuldades para cobrança de valores de exames e de consultas sem internação estão também na dimensão do universo de procedimentos a serem analisados, já que todas as internações feitas no SUS em um ano somam 11,2 milhões, enquanto as consultas chegam a 1,5 bilhão e os exames, a 2 bilhões.

Da Agência Brasil

Pesquisa mostra que 65% dos pacientes com câncer continuam fumando

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Maioria dos fumantes não consegue largar o cigarro, mesmo após receber diagnóstico de doença(Arquivo/Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Levantamento feito pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) com pacientes da instituição mostra que 65% dos pacientes fumantes não conseguem largar o cigarro mesmo após receber o diagnóstico da doença. O coordenador de Apoio ao Tabagista do instituto, Frederico Fernandes, disse que o resultado da pesquisa foi surpreendente. “Nós imaginávamos, justamente, que uma pessoa que fumasse, na hora de receber o diagnóstico de câncer ficasse motivada a parar, pelo fato de ter desenvolvido uma doença relacionada ao tabagismo”, ressaltou em entrevista à Agência Brasil.

Segundo o médico, apesar da vontade dos pacientes de largar o tabaco, o vício é muito forte. “Quando a gente conversa com esses pacientes, vemos que eles têm vontade, estão motivados, mas, pelo fato de ter um nível alto de dependência da nicotina, não conseguem parar ou reduzir”, contou.

A situação se agrava, de acordo com Fernandes, pelo fato de o cigarro ser uma válvula de escape de grande parte dessas pessoas ao lidar com situações difíceis. “E, muitas vezes, quando a pessoa recebe um diagnóstico como esse, acentua os traços de ansiedade. Com isso, ela acaba não conseguindo largar o cigarro por não conseguir canalizar a ansiedade contra a doença em outra coisa”, explica o médico.

Além de ser um fator que contribui para o surgimento do câncer, Fernandes destaca que o cigarro pode atrapalhar o tratamento. “Alguns tipos de quimioterapia têm menor eficácia quando a pessoa continua fumando e recebendo o tratamento”, enfatiza. Fumar também interfere na cicatrização e recuperação de cirurgias. “Se uma pessoa é submetida a uma cirurgia, parando de fumar ela tem uma cicatrização melhor e um pós-operatório menos complicado”, acrescenta.

Há ainda, segundo o médico, o problema da fragilização do sistema respiratório. “Uma das principais complicações que ocorrem no tratamento de câncer são as infecções respiratórias. E a pessoa que fuma tem chance maior de contrair uma infecção durante o tratamento do câncer”.

Por isso, o Icesp montou uma equipe para apoiar os pacientes que querem deixar o cigarro. “Nós temos uma equipe multiprofissional, composta por psicólogos, enfermeiros, nutricionistas e médicos, que vai dar um tratamento baseado tanto em medidas comportamentais, quanto em medicações, para tentar diminuir o vício”, detalha Fernandes.

Uma das principais linhas de atuação do grupo é, justamente, ajudar os fumantes a lidar com a ansiedade sem o tabaco. “Ensinar como lidar com as situações de problema, com o stress do dia a dia, sem precisar recorrer ao cigarro, coisa que muitos deles estão acostumados a recorrer desde a adolescência”, explica o médico.

Da Agência Brasil

Conscientização sobre fumo passivo ganha força no Dia de Combate ao Fumo

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O fumo é responsável por mais de 200 mil mortes por ano no Brasil(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

No Dia Nacional de Combate ao Fumo, comemorado hoje (29), a conscientização sobre os males do fumo passivo ganha força após pesquisas recentes sobre o tema. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o fumo é responsável por mais de 200 mil mortes por ano no Brasil. Doenças respiratórias e cardiovasculares são as principais enfermidades causadas pelo cigarro e, em muitos casos, as vítimas sequer são fumantes.

Estudo feito por pesquisadores da Universidade de York, no Reino Unido, e divulgado no mês passado mostra que partículas da fumaça do tabaco no ambiente podem causar problemas de saúde e até câncer em não fumantes. As novas constatações lançam luz sobre a questão e demandam campanhas específicas sobre o assunto, de acordo com o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, Daniel Knupp.

“Hoje, a imagem geral do fumo na sociedade é mais negativa, mesmo os não fumantes têm conhecimento da dimensão do malefício do cigarro no convívio com o fumante, mas não uma dimensão clara da magnitude desse risco”, comentou Knupp. “É importante que os não fumantes tenham ciência de que a incidência de certas doenças pode ser tão elevada para eles quanto para o próprio fumante e tenham autonomia para cobrar o direito de um ambiente livre de tabaco”, disse o médico.

Para a diretora clínica do Centro Paulista de Oncologia (CPO), Mariana Laloni, o que surpreendeu nos dados da pesquisa foi o fato de que mesmo em casas de não fumantes há um grau de substâncias tóxicas oriundas do cigarro capaz de causar câncer. “Já sabemos que o maior prejudicado é o fumante e já há vários estudos que mostram o impacto do efeito do tabaco para o fumante passivo no mesmo ambiente [do fumante]. Mas esse estudo mostra que a fumaça exalada dos fumantes persiste no ambiente e aumenta o risco de doenças para não fumantes”, comentou Mariana.

Uma divulgação maior de informações sobre o assunto, segundo ela, pode contribuir para uma atitude mais responsável por parte de fumantes em locais públicos e privados.

A coordenadora de Vigilância de Agravo e de Doenças não Transmissíveis e Promoção da Saúde do Ministério da Saúde, Deborah Malta, explicou que as ações em curso para inibir o fumo em locais fechados têm obtido resultados significativos na queda da prevalência do fumo passivo.

“Já verificamos uma redução do fumo passivo no domicílio, de 12,7% [em 2009]para 10,2% [em 2012]. No local de trabalho, caiu de 12,1% para 9,8%”, acrescentou. Os dados são do estudo Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2013.

A regulamentação da Lei Antifumo Nacional, cujas regras passam a valer a partir de 2 de dezembro, terá impacto ainda maior na queda do número de não fumantes, que hoje são obrigados a inalar fumaça de cigarro. Entre os pontos mais relevantes está a proibição do fumo em locais de uso coletivo, públicos ou privados (como hall e corredores de condomínio, restaurantes e clubes, mesmo que o ambiente esteja só parcialmente fechado por uma parede, divisória, teto ou até toldo). A norma também extingue os fumódromos e acaba com a possibilidade de propaganda comercial de cigarros até mesmo nos pontos de venda.

“Além disso, o decreto prevê que o espaço de advertência nos maços seja ampliado em 30%. Já temos 100% no espaço frontal, 100% na lateral e após 2015 teremos mais 30% no espaço dos maços”, lembrou Deborah.

Da Agência Brasil

Pesquisa revela que 93% dos brasileiros estão insatisfeitos com saúde pública e privada

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Para 93% da população, os serviços públicos e privados de saúde são considerados regulares, ruins ou péssimos (Imagem de Arquivo/Agência Brasil)

Os serviços públicos e privados de saúde no Brasil são considerados regulares, ruins ou péssimos por 93% da população. É o que indica pesquisa do Instituto Datafolha feita a pedido do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Paulista de Medicina (APM). Para o CFM, os dados apontam insatisfação dos brasileiros com os serviços. O levantamento mostra que os principais problemas enfrentados pelo setor incluem filas de espera, falta de acesso aos serviços públicos e má gestão de recursos. De acordo com o estudo, a saúde é apontada como a área de maior importância para 87% dos brasileiros. Para 57%, o tema deve ser tratado como prioridade pelo governo federal.

A pesquisa foi feita entre os dias 3 e 10 de junho de 2014 e ouviu 2.418 homens e mulheres com idade mínima de 16 anos em todos os estados brasileiros. A margem de erro é 2 pontos percentuais.

Os dados revelam que, em relação ao Sistema Único de Saúde (SUS), os pontos mais críticos são os relacionados ao acesso e ao tempo de espera. Mais da metade dos entrevistados que buscaram atendimento na rede pública relataram ser difícil ou muito difícil conseguir o serviço pretendido – sobretudo cirurgias, atendimento domiciliar e procedimentos específicos como hemodiálise e quimioterapia.

Em relação à qualidade dos serviços, 70% dos que buscaram o SUS disseram estar insatisfeitos e atribuíram avaliações que variam de regular a péssimo. A percepção mais negativa está relacionada ao atendimento nas urgências, emergências e em pronto-socorros.

Entre os entrevistados, pelo menos 30% declararam estar aguardando ou ter alguém na família aguardando a marcação ou a realização de algum procedimento na rede pública. Mesmo entre os que têm plano de saúde, 22% aguardam algum tipo de atendimento no SUS.

Os dados mostram que duas em cada dez pessoas ouvidas conseguiram ser atendidas no prazo de um mês, enquanto 29% aguarda há mais de seis meses para ter a demanda atendida. O grupo que passa mais tempo aguardando atendimento do SUS são as mulheres com idade entre 25 e 55 anos, que concluíram o ensino fundamental e residem na Região Sudeste.

O presidente do CFM, Roberto Luiz d’Avila, avaliou que o resultado apontado pela pesquisa é de insatisfação com a saúde como um todo. “As respostas estão aí para serem analisadas”, disse. “Não somos nós, médicos, que continuamos a dizer que a insatisfação é muito grande. No nosso meio, temos certeza absoluta de que esse atendimento é insatisfatório. E eu diria mais: é prejudicial”, completou.

Já o vice-presidente do conselho, Carlos Vital, classificou as dificuldades enfrentadas pelo setor como crônicas. “Vivemos uma fase de agonização desse problema nos últimos 12 anos”, disse. “Orçamento e administração são os principais problemas. Não podemos continuar nessa espera. Vidas humanas se perdem nesse processo”, concluiu.

Na pesquisa, os entrevistados avaliaram os serviços da saúde como um todo no país (público e privado) e do SUS.

O Ministério da Saúde informou que os recursos destinados à rede pública mais que triplicaram nos últimos 11 anos, passando de R$ 27,2 bilhões em 2003 para R$ 91,6 bilhões em 2014. Esses recursos, segundo a pasta, garantiram resultados como a cobertura de cerca de 60% da população pelas equipes de Saúde da Família, com ampliação do acesso a 50 milhões de brasileiros, atendidos pelos 14,4 mil médicos do Programa Mais Médicos; 75% da população com acesso ao Samu; mais de 90% da cobertura vacinal, incorporando todas as vacinas preconizadas pela Organização Mundial da Saúde; manutenção do maior sistema de transplante público do mundo, com 95% do total de transplantes realizados no SUS; e ampliação, desde 2011, de mais de 16 mil leitos do SUS em unidades mais próximas da casa do cidadão.

“Importante esclarecer que a gestão e o financiamento do SUS são compartilhados entre União, estados e municípios”, finalizou o ministério.

 

Da Agência Brasil

Treze estados começam a vacinar contra a hepatite A

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Neste mês, 13 estados estão começando a vacinar as crianças de 1 ano completo até 2 anos incompletos contra a hepatite A. O Amapá, Amazonas, a Bahia, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, o Pará, a Paraíba, o Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe e o Tocantins têm a meta de, juntos, imunizar 1,1 milhão de crianças em um ano.

O Ministério da Saúde incluiu, no fim de julho, a vacina no calendário nacional de imunização do Sistema Único de Saúde, porém, os estados têm autonomia para decidir quando começam a vacinar. Segundo o Ministério da Saúde, todos os estados receberam as vacinas, que inicialmente serão aplicadas em dose única, com monitoramento para identificar a necessidade de uma segunda dose.

A hepatite A normalmente é benigna e raramente apresenta uma forma grave. No Brasil, o Ministério da Saúde estima que ocorram por ano 130 novos casos a cada 100 mil habitantes.

A disseminação da doença costuma estar relacionada a condições de higiene, pois é ela é transmitida principalmente pelo contato com fezes contaminadas. Muitas veze,s esse contato se dá de forma indireta, pela água e por alimentos. O contato com pessoas contaminadas também pode causar a transmissão.

O Ministério da Saúde ressalta que a vacina contra a hepatite A é segura e, praticamente, isenta de reações adversas, mas como em qualquer outra vacina, pode causar alguns efeitos, como inchaço no local da aplicação e vermelhidão, ou outras reações generalizadas, como fraqueza, cansaço, febre e dores no corpo.

A meta nacional é imunizar 95% do público-alvo. O Ministério da Saúde investiu R$ 111,1 milhões na compra de 5,6 milhões de doses da vacina.

 
Da Agência Brasil

ANS proíbe a venda de 123 planos de saúde por três meses

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A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) anunciou a proibição de venda, a partir do próximo sábado (16), de 123 planos de saúde de 28 operadoras por um período de três meses. A punição, definida no décimo ciclo de monitoramento, decorre de desrespeito aos prazos máximos de atendimento e de negativas indevidas de cobertura. Ao todo, esses planos somam 1,1 milhão de beneficiários, que não serão afetados pela medida.

No mesmo sábado, 104 planos de 34 operadoras poderão voltar a ser comercializados, segundo a ANS, porque melhoraram o atendimento nos últimos três meses, depois de terem sido suspensos pelos mesmos motivos dos que agora estão sendo punidos.

Das 28 operadoras que terão as vendas de planos suspensas a partir de sábado, apenas cinco nunca haviam recebido essa punição. O consumidor que receber oferta para adquirir um desses planos deve denunciar a comercialização à ANS.

No décimo ciclo de monitoramento, a ANS contabilizou reclamações apresentadas no período de 19 de março a 18 de junho deste ano. A agência reguladora analisou as soluções aplicadas pelas operadoras e se elas atenderam de forma efetiva às demandas dos consumidores.

A ANS destaca que essa não é a única medida administrativa aplicada às operadoras, já que elas também recebem multas que variam de R$ 80 mil a R$ 100 mil por cada negativa indevida de cobertura ao consumidor.

Representando operadoras que somam 38% do mercado de saúde suplementar, a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) destacou por nota que vem defendendo novas metodologias para o monitoramento do atendimento aos consumidores. Para a entidade, a agência reguladora deve corrigir critérios de mediação que distorcem a realidade da prestação de serviço e do desempenho de cada operadora avaliada.

A entidade ressaltou que a última edição da Foco – Saúde Suplementar, uma publicação da ANS, edição de março de 2014, revelou que o índice de reclamações dos beneficiários caiu pelo quinto mês consecutivo. Segundo a entidade, esse fato demonstra o empenho das operadoras em corrigir eventuais imperfeições no atendimento.

Da Agência Brasil

Saúde é tema mais importante para 52% dos paulistas, mostra pesquisa

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Levantamento feito no estado de São Paulo mostra que 52% da população acreditam que a saúde é o tema mais importante entre as políticas públicas de responsabilidade do governo federal. A pesquisa foi feita pelo Instituto Datafolha, encomendada pela Associação Paulista de Medicina e pelo Conselho Federal de Medicina.

Entre os outros temas, 19% dos entrevistados disseram que educação é o assunto que mais preocupa, 11% responderam que o combate à corrupção é o mais importante, 5% citaram segurança, 5% responderam moradia, 5% preocupam-se com o desemprego, 2% citaram o combate à inflação, 1% disse que meio ambiente é o tema mais importante e 0,3% citou o transporte.

A pesquisa pediu aos entrevistados que avaliassem o atendimento em saúde e no Sistema Único de Saúde (SUS). A maioria, 63%, atribuiu notas entre 0 e 4 à saúde de modo geral, em uma escala de 0 a 10. Deu nota 0 o equivalente a 29% dos entrevistados. Um percentual menor, 30%, atribuiu notas de 5 a 7. Apenas 7% deram notas de 8 a 10.

Levando em conta somente o atendimento do SUS, 39% o avaliaram como insatisfatório (notas de 0 a 4). O mesmo percentual, 39%, atribuiu notas de 5 a 7. A parcela de entrevistados que deram notas de 8 a 10 foi 21%.

Sobre a facilidade de acesso ao SUS, a distribuição gratuita de remédios foi considerada um pouco mais fácil que outros serviços. Por outro lado, a consulta com médicos, o atendimento de emergência e as cirurgias foram citados como os serviços mais difíceis de se conseguir. “A dificuldade de acesso ao pronto-socorro é preocupante, o que traz risco de vida. Isso é inaceitável, é um problema de gestão ineficiente”, disse Florisval Meinão, presidente da Associação Paulista de Medicina.

A maioria da população, 55%, disse que a porta de entrada para os serviços do SUS foi o atendimento emergencial. “É preciso que os pacientes procurem e tenham facilidade de acesso aos postos de saúde. Isso não abarrotaria os serviços emergenciais e as pessoas que têm condições realmente graves não teriam dificuldade de serem atendidas”, declarou Florisval.

A espera no SUS para a marcação de consulta, exame, cirurgia ou procedimento é até um mês em 21% dos casos, varia de um a seis meses em 50% dos casos, fica entre seis meses e um ano em 14% e supera um ano em 14% dos casos. “É inaceitável imaginar que uma pessoa doente tenha que aguardar mais de 30 dias. É uma situação que coloca em risco as condições clínicas dos pacientes”. De acordo com Florisval, a Agência Nacional de Saúde estabeleceu prazos máximos de espera, em casos eletivos, de 21 dias. Para os demais casos, ficou estabelecido o prazo de 15 dias.

O levantamento ouviu, durante o mês de junho, 812 moradores do estado de São Paulo com mais de 16 anos. A margem de erro da pesquisa varia em 3 pontos para mais ou para menos.

 

Da Agência Brasil